Expectativas Econômicas em Tempos de Eleição
O ano eleitoral de 2026 começa a se delinear com certezas e incertezas. A volatilidade dos ativos financeiros promete ser intensa, com juros futuros, a Bolsa de Valores e o câmbio oscilando de acordo com as notícias, pesquisas e debates políticos. Embora as perspectivas para o ano agrícola não sejam tão optimistas quanto em 2025, a expectativa é que não sejam ruins. A previsão é de uma queda lenta, mas contínua, nas taxas de juros, enquanto a inflação deverá permanecer dentro do intervalo da meta estabelecida. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa é de um crescimento moderado. A preocupação no cenário externo gira em torno da possível bolha que pode estourar na Bolsa americana. Neste contexto eleitoral, é esperado um aumento na pressão fiscal, e o novo ministro da Fazenda, independentemente de quem seja, certamente não terá a mesma influência que Fernando Haddad teve durante o governo Lula.
Desempenho Económico em 2025: Um Panorama Positivo
O ano que se encerrou foi significativamente melhor do que muitos previam. A Bolsa de Valores apresentou uma alta impressionante de 34%. O dólar desvalorizou-se em 11%, marcando a maior queda desde 2016. No que tange ao mercado de trabalho, o desemprego alcançou níveis recordes de baixa, com o Brasil registrando o menor número absoluto de desempregados, segundo a Pnad, além do maior número de empregados da história. A renda familiar viu um aumento, e a inflação surpreendeu positivamente os analistas. Em março, a expectativa do relatório Focus indicava que a inflação fecharia o ano em torno de 5,68%, mas o resultado final foi de apenas 4,3%. Se as previsões iniciais tivessem se concretizado, teríamos enfrentado um cenário desastroso, com a inflação superando o teto da meta estabelecida. A explicação para essa performance positiva, em grande parte, está atrelada à robusta safra agrícola. Como será o desempenho da safra de 2026, segundo o renomado especialista brasileiro José Roberto Mendonça de Barros?
Projeções para a Safra Agrícola em 2026
De acordo com Mendonça de Barros, será difícil igualar o desempenho excepcional de 2025, mas as expectativas não são negativas. “No ano passado, as condições climáticas foram favoráveis, exceto no Rio Grande do Sul. A safrinha se saiu bem e a colheita foi excepcional, com o PIB agrícola crescendo entre 8% e 10%. Esperávamos um aumento de preços em torno de 8,5% a 9%, mas, surpreendentemente, os preços subiram apenas 2%. Apesar das dificuldades para repetir esse desempenho, não há perspectivas de uma queda acentuada”, afirma. O economista ressalta que, se as chuvas de janeiro forem adequadas, é possível que o Brasil consiga igualar a produção agrícola do ano anterior. O aumento da área cultivada e a expectativa de maior produção no Rio Grande do Sul podem contribuir para sustentar os preços, evitando quedas drásticas, como ocorreu em 2025.
Desafios Inflacionários e o Cenário Internacional
A inflação brasileira pode ser influenciada pela taxa de câmbio, especialmente em um momento em que há a expectativa de um ajuste significativo na Bolsa americana nos próximos meses. Mendonça de Barros comenta que 90% dos investidores americanos acreditam que existe uma bolha em empresas de inteligência artificial. O estouro dessa bolha poderia desvalorizar o dólar. No entanto, no segundo semestre, a tensão eleitoral no Brasil pode fazer com que o real se desvalorize, o que por sua vez impactaria a inflação interna.
Desenvolvimentos Econômicos e Política Fiscal
O Brasil conseguiu enfrentar de maneira eficaz a crise do tarifaço, resultando em um aumento nas exportações. O processo de diversificação dos mercados segue em andamento, mesmo que não haja um acordo com a União Europeia, contribuindo para a estabilidade do câmbio. Recentemente, a nova alíquota da China sobre a carne, anunciada ontem, pode impactar as vendas externas. Se tivéssemos que apontar a melhor notícia de 2025, com certeza seria a saída do Brasil do mapa da fome, conforme anunciado pela FAO no final de julho. Essa conquista não significa que todos os brasileiros possuem segurança alimentar, mas, de acordo com a medida da ONU, o país não está mais nessa triste classificação. Lembrando que isso é resultado de um longo processo, que inclui não apenas a pandemia, mas também a falta de políticas sociais adequadas.
A Política Fiscal e o Debate Eleitoral
A maior crítica que os economistas têm feito diz respeito à política fiscal. Embora os dados revelem que a meta fiscal de 2025 foi cumprida, isso se deve ao fato de que R$ 44 bilhões não serão contabilizados. A dívida pública continua a crescer, e não existem soluções fáceis para esse problema. O grande debate econômico durante a eleição girará em torno das contas públicas. Historicamente, a direita não teve um desempenho fiscal positivo, mas ainda assim é percebida como austera. Por outro lado, a esquerda, embora não tenha tido resultados tão negativos quanto se pensam, enfrenta a fama de ser gastadora. Independentemente de quem seja eleito, o país enfrentará a necessidade de um ajuste estrutural nas contas públicas em 2027. A direita provavelmente fará promessas de ajustes, mesmo sem um plano claro. Já a esquerda, por sua vez, mostrará relutância em fazer promessas. E é nesse ponto que reside o perigo que pode afetar a economia brasileira.

