Eduardo Paes e sua Pré-Campanha ao Governo do Rio
Em uma recente agenda em Santo Antônio de Pádua, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro pelo PSD, revelou que está em plena pré-campanha para o governo estadual. Em tom descontraído, durante um evento nesta sexta-feira, o político deixou claro suas intenções: ‘Quero os votos para governador e busco o apoio do Paulinho’, referindo-se ao prefeito Paulinho da Refrigeração (MDB). Embora tenha negado qualquer possibilidade de deixar a prefeitura antes de 2028, o foco de Paes agora está voltado para o Palácio Guanabara.
Um vídeo com essa declaração rapidamente ganhou destaque nas redes sociais através do canal “nabocadopovorj”. Na visita ao Norte-Noroeste fluminense, o prefeito passou por cinco municípios, onde se reuniu com autoridades e empresários, buscando consolidar apoios em áreas onde a presença política é mais frágil, como a Baixada Fluminense e o interior do estado.
Esta não é a primeira vez que Paes expressa interesse em deixar a prefeitura. Desde outubro, ele tem intensificado suas visitas pelo interior e realizado reuniões fora da agenda oficial, com o objetivo de alinhar interesses políticos com possíveis aliados. Caso decida renunciar ao cargo para se candidatar, ele tem até o início de abril para formalizar sua saída, o que levaria o vice Eduardo Cavaliere, de apenas 31 anos, a assumir como o prefeito mais jovem da história do Rio de Janeiro.
Encontro com Lula e Desafios na Aliança
A situação política se torna ainda mais complexa com a recente visita de Paes a Brasília, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro, segundo a newsletter “Jogo Político”, teve como tema principal a necessidade de reafirmar alianças diante da crescente inquietação no Palácio do Planalto sobre a fidelidade do prefeito nos 92 municípios fluminenses.
A urgência dessa viagem foi intensificada após o deputado André Ceciliano manifestar a intenção de se candidatar a um mandato-tampão, caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie em abril para concorrer ao Senado. Na reunião, Paes comunicou a Lula sua decisão de deixar a prefeitura em 20 de março, com o objetivo de concorrer ao governo, e garantiu apoio à deputada Benedita da Silva ao Senado, uma mudança nas expectativas do seu grupo político, que inicialmente buscava uma chapa com o PT sem um candidato do partido.
Contudo, essa aliança não vem sem seus desafios. Desde o segundo semestre do ano passado, figuras proeminentes do PT, como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, têm expressado preocupações sobre os flertes de Paes com o bolsonarismo, especialmente após eventos que geraram atritos com a base petista. Entre os episódios considerados problemáticos estão o apoio de Paes ao pastor Silas Malafaia, um aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro, e recentes declarações de seu vice, Eduardo Cavaliere, que criticaram a visão do PT sobre segurança.
Por enquanto, os movimentos de Paes não resultaram em consequências diretas dentro do partido, embora tenham atraído críticas de figuras como Marcelo Freixo e José Dirceu, que apontam para a necessidade de um alinhamento mais sólido entre Paes e o grupo político que representa.

