Planos em Debate para a Eleição Indireta no Rio
Com a aproximação da eleição indireta no Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes (PSD) está avaliando cenários estratégicos para a disputa, especialmente diante da força do seu adversário mais significativo, Douglas Ruas (PL), secretário estadual de Cidades. Nos bastidores, aliados de Paes informaram que duas opções estão em pauta: a judicialização das novas regras da eleição e a aceitação da candidatura de André Ceciliano (PT), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
A hipótese de questionar judicialmente as normas aprovada recentemente na Alerj surge como o plano A. Integrantes do PSD já levantaram essa possibilidade, uma vez que o prazo para desincompatibilização dos candidatos que já ocupam cargos no Executivo se tornou um ponto controverso. Sob a legislação eleitoral tradicional, o afastamento necessário é de seis meses antes da votação. No entanto, a regra aprovada estabelece apenas 24 horas após a vacância do cargo.
A situação é complexa, pois, sendo uma eleição suplementar, fora do calendário eleitoral normal, há espaço para flexibilizações. Contudo, a falta de um consenso sobre a desincompatibilização em pleitos desse tipo pode levar a questionamentos judiciais. Segundo informações de fontes que conversaram com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), já existe um alinhamento entre alguns magistrados a favor do prazo reduzido, o que limita as opções de Paes.
O plano B, que envolve a candidatura de Ceciliano, também não é isento de desafios. Apesar das tensões no início do ano, onde ambos trocaram críticas públicas, Paes e Ceciliano se reaproximaram recentemente e chegaram a almoçar juntos. Defensores de Ceciliano acreditam que ele ainda possui uma boa relação com a Alerj, o que poderia favorecer sua candidatura na eleição indireta.
Contudo, um cálculo político importante se destaca: mesmo juntando as bancadas da coligação de Paes (PSD e MDB) com as de esquerda (PT, PSol, PCdoB, PSB e PDT), o ex-presidente da Alerj contaria com apenas 24 votos, abaixo dos 33 de Ruas, que conta com o apoio do PL, PP e União Brasil. Para ser eleito, é necessário o mínimo de 36 votos.
Além disso, a situação de Ceciliano dentro do PT é delicada. O partido está dividido em relação ao apoio ao seu nome, e o presidente estadual, Diego Quaquá, afirma que ainda não há uma definição sobre qual postura a sigla adotará na eleição indireta. Embora a tendência seja alinhamento com Paes devido à aliança existente, a decisão final só será tomada após uma discussão interna.
“Estamos em conversações internas. Neste sábado, teremos uma reunião para decidir sobre isso”, informou Diego, sem descartar a possibilidade de lançar Ceciliano como candidato. “Não é completamente descartado, mas ele não é um nome consensual dentro do PT”, acrescentou, mencionando que a sigla também poderia indicar um dos seus deputados estaduais para o cargo-tampão.
Na próxima sexta-feira (6), com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Rio, Paes e o mandatário devem discutir os possíveis desdobramentos da situação política da capital. O presidente participará de três eventos que são estratégicos para a reeleição de Paes em 2024: a entrega de moradias na Comunidade do Aço, na Zona Oeste; a inauguração da primeira fase do anel viário e túnel de Campo Grande; e o anúncio da instalação do hub internacional no Aeroporto Internacional do Galeão.
A expectativa é que Paes revele suas intenções sobre o mandato-tampão na próxima segunda-feira (9), durante um almoço com seus aliados. Apesar das especulações, ele tem se mantido firme ao negar que esteja tratando do assunto.

