Mudanças Impactantes na Corrida Eleitoral
A recente decisão do ministro Luiz Fux, que atendeu a solicitações do PSD, trouxe novas diretrizes para a eleição indireta no Rio de Janeiro, prevista para os próximos meses. Essa determinação afetou os planos de várias siglas no estado, uma vez que os nomes anteriormente cogitados não preenchem os critérios legais impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O prefeito Eduardo Paes, pré-candidato ao governo, já iniciou diálogos para garantir a presença de um representante na eleição indireta, enquanto o PL, ligação do presidenciável Flávio Bolsonaro, ajusta sua estratégia.
Com a regra estabelecida, que requer que os candidatos estejam fora de cargos executivos há pelo menos seis meses antes da disputa — uma vez que a renúncia de Cláudio Castro (PL) é iminente devido à ausência de um vice-governador no estado —, um dos principais nomes da direita, Douglas Ruas (PL), se vê fora da corrida. O deputado estadual licenciado, atualmente secretário de Cidades, almejava ser governador na eleição indireta para aumentar sua visibilidade antes do embate com Paes previsto para outubro.
Expectativas no PSD e Reações no PL
No PSD, o clima é de otimismo quanto à possibilidade de a decisão de Fux ser confirmada no plenário. Caso isso ocorra, a eleição indireta se tornará uma disputa interna entre os deputados da Alerj. Paes, por sua vez, já considera alguns nomes para a disputa, sendo Chico Machado (Solidariedade) o mais cotado. Machado comprometeu-se a não buscar reeleição nas eleições regulares, o que pode facilitar a negociação entre os partidos.
O ex-braço direito do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), já havia sido alvo de críticas de Paes em janeiro, que anunciou que qualquer deputado do PSD que apoiasse um candidato ligado a Bacellar seria expulso. Agora, o apoio a Machado exigirá uma nova postura do prefeito.
Além de Machado, outros nomes considerados no grupo de Paes incluem Rosenverg Reis (MDB) e André Corrêa, do PP, embora a migração para o PSD esteja em discussão.
“Sinto um consenso quase total na Casa para eleger um deputado na eleição indireta. Mas não estou buscando isso. Hoje, pela posição que ocupo, o nome mais natural parece ser o do presidente Guilherme Delaroli”, afirmou Corrêa.
Implicações da Interinidade e Cenários Futuros
Atualmente, Delaroli é interino desde que Bacellar foi destituído pela Justiça e se tornou a principal alternativa do PL. Contudo, se ele assumir o governo temporariamente, a única posição que poderá almejar nas eleições de outubro será a reeleição, já que Ruas é o candidato oficial do PL para as eleições gerais.
Esse cenário gera um dilema entre os deputados, principalmente para Delaroli, visto que seu irmão é prefeito de Itaboraí, o que limita suas opções devido às regras de nepotismo, impedindo sua candidatura em 2028.
“O plenário terá que decidir se mantém ou altera essa legislação. Isso nos leva a nos reunir novamente para discutir possíveis cenários futuros”, comentou o senador Flávio Bolsonaro em um evento do Grupo Lide, no Rio.
Novos Desafios para o Estado
A situação se complica ainda mais com a possibilidade de uma eleição para a presidência da Assembleia, caso Bacellar seja cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso Ceperj, o mesmo que também pode ameaçar o cargo do governador Castro, afastado devido a investigações sobre sua relação com o Comando Vermelho. Por ser apenas um interino, Delaroli não faz parte da linha sucessória do estado.
Os cálculos agora giram em torno de como Ruas pode conseguir uma maioria para ser eleito presidente da Assembleia, o que o levaria à posição de governo imediatamente, sem que a missão passasse para o presidente do Tribunal de Justiça. Com isso, Ruas poderia convocar a eleição indireta antes de enfrentar Paes em outubro.
Adicionalmente, Castro enfrenta pressões sobre quando renunciar para poder disputar o Senado, especialmente com a perspectiva de condenação no caso Ceperj. A última informação sugere que sua saída poderia ocorrer na próxima segunda-feira.
Saída de Felipe Curi
No mesmo evento em que Flávio Bolsonaro comentou sobre a decisão de Fux, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, anunciou sua saída do governo para se candidatar nas eleições. Curi, que já foi o favorito de Flávio para a candidatura ao governo, é visto como um “coringa” e pode ser um candidato ao Senado, caso Castro enfrente barreiras legais para sua candidatura.

