STF e a Questão das Eleições Diretas
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionou a favor da realização de eleições diretas para o cargo de governador do Rio de Janeiro, um dia antes do julgamento que ocorrerá no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 8. O cargo, atualmente, está sob a responsabilidade do presidente do Tribunal de Justiça do estado, desembargador Ricardo Couto, após a renúncia de Cláudio Castro, que deixou o governo antes da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O julgamento no STF abordará duas ações referentes ao processo eleitoral: uma que defende a eleição indireta, a ser realizada pela Assembleia Legislativa do Rio, e outra que propõe um pleito direto, com voto popular. A PGR argumenta que a vacância do cargo de governador se deu em decorrência da decisão da Corte Eleitoral, que levou à cassação de Castro, e, portanto, a legislação eleitoral deve ser aplicada, convocando eleições diretas em situações de afastamento por motivos eleitorais a menos de seis meses do fim do mandato.
A Renúncia de Cláudio Castro e suas Implicações
Cláudio Castro renunciou ao seu mandato em 23 de março, um dia antes que o TSE reavaliaria seu caso, resultando em sua cassação e inelegibilidade por um período de oito anos. A necessidade de novas eleições surge da falta de um governante, já que o vice-governador eleito, Thiago Pampolha, renunciou em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Rio. Em razão disso, a Constituição exige a convocação de uma nova eleição para cobrir o restante do mandato até 31 de dezembro de 2026.
O que Está em Jogo no STF?
No centro do debate, está uma ação que questiona a lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio que estabelece uma eleição indireta para suceder Cláudio Castro. Essa norma determina, entre outras coisas, que o voto na eleição indireta deve ser aberto, e concede um prazo de 24 horas para a desincompatibilização dos candidatos. Durante as discussões no plenário virtual do STF, a maioria dos ministros já se manifestou em favor da necessidade de que a votação seja secreta.
No entanto, alguns ministros, incluindo Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flavio Dino e Cristiano Zanin, divergiram, defendendo a eleição direta, argumentando que a renúncia de Castro foi uma manobra para evitar a cassação e manter seu grupo político no poder. O partido PSD do Rio também apresentou uma segunda ação contestando a decisão do TSE de determinar a eleição indireta, afirmando que houve um desvio de finalidade na renúncia do ex-governador.
Posicionamento da PGR
A manifestação da PGR, assinada pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, endossa a ideia de que a vacância do cargo de governador ocorreu em decorrência de uma decisão judicial, sendo, portanto, aplicável a regra de eleição direta. Espinosa ressalta que a inelegibilidade e a cassação do diploma de Castro são reconhecidas, mesmo que a decisão não tenha sido efetivada, dado que ele não ocupava mais o cargo ao fim do julgamento.
Ele complementa que a situação atual do Rio de Janeiro não é compatível com a realização de eleições indiretas, e que a abordagem pode ser revista através de ações judiciais. O vice-procurador também enfatiza que a decisão do TSE de cassar o diploma de Castro, mesmo após sua renúncia, foi um reconhecimento claro de que houve abuso de poder no pleito de 2022.
Por que o Rio Necessita de uma Eleição Suplementar?
Além da renúncia de Cláudio Castro, a ausência de um vice-governador cria um cenário de dupla vacância, o que torna imperativa a realização de eleições suplementares. A Constituição estabelece essa necessidade para garantir a continuidade da administração pública, especialmente em momentos de transição de poder.
O resultado do julgamento no STF pode, portanto, reverberar significativamente na política do estado, fazendo com que a população tenha seu poder de voto respeitado, essencial em um regime democrático. O desdobramento dessa situação exige atenção e acompanhamento, dado o impacto que terá na governança do Rio de Janeiro nos próximos meses.

