Os Desafios da Escassez de Mão de Obra
A recente pesquisa revela que a dificuldade em contratar mão de obra no Espírito Santo é influenciada por vários fatores, tornando-se uma barreira significativa para o crescimento econômico do estado. Marília Silva, gerente executiva do Observatório Findes, destacou três causas principais para esse apagão: as novas tendências do mercado de trabalho, a economia aquecida e problemas estruturais.
Novas Tendências do Mercado de Trabalho
As mudanças tecnológicas estão redefinindo as dinâmicas do trabalho mundial, e o Espírito Santo não é uma exceção. De acordo com a Findes, essa transformação exige uma requalificação da mão de obra existente, a fim de que os trabalhadores desenvolvam habilidades que atendam às demandas da modernização dos processos. Além disso, o envelhecimento da população exige serviços adaptados para os mais velhos, ampliando a necessidade de absorver esses profissionais no mercado.
“Com a escassez de mão de obra e uma população envelhecendo, é crucial requalificar e preparar esses trabalhadores para que possam ocupar novas posições”, comentou Marília Silva, ressaltando a urgência dessa preparação.
O Comportamento da Geração Z
Outro fator importante abordado no estudo é o comportamento da Geração Z, que entrou no mercado de trabalho apresentando novas expectativas. Nascidos entre 1995 e 2010, esse grupo se preocupa mais com questões de diversidade e propósito em suas profissões. Além disso, buscam flexibilidade, uma necessidade que se intensificou durante a pandemia, quando muitos trabalhadores adotaram o home office.
“A pandemia introduziu uma nova flexibilidade no ambiente de trabalho, que agora é uma demanda tanto dos jovens quanto dos mais velhos, que aprenderam a trabalhar de forma diferente”, explicou Marília.
A Economia Aquecida e a Taxa de Desemprego
O mercado de trabalho capixaba está aquecido, refletindo a performance econômica do estado. O aumento do consumo eleva a demanda por bens e serviços, o que requer uma produção maior. No entanto, a taxa de desemprego no Espírito Santo é apenas de 2,6%, o que indica que as vagas disponíveis frequentemente já estão ocupadas.
Marília Silva observou que, embora haja uma demanda crescente por trabalhadores, muitos já estão empregados, seja no setor formal ou informal. A informalidade surge como uma alternativa para aqueles que buscam serviços mais flexíveis e pagamentos mais rápidos, levantando questões sobre a adequação do modelo atual de contratação.
Problemas Estruturais a Serem Enfrentados
Além das transformações no mercado de trabalho, existem questões estruturais que dificultam o preenchimento das vagas disponíveis. A alta taxa de informalidade é uma delas, com quase metade dos trabalhadores atuando de forma não registrada. A maioria dos que estão fora do mercado é composta por mulheres, jovens ou indivíduos com mais de 60 anos que possuem baixa escolaridade.
Para Marília, é essencial que políticas públicas sejam implementadas para garantir que as pessoas disponíveis se inserirem no mercado de trabalho. Contudo, isso também depende da disposição das empresas em contratá-las. “Muitas mulheres, por exemplo, não ingressam no mercado devido a afazeres domésticos ou problemas de saúde. Precisamos abordar essas questões para transformar essa mão de obra disponível em uma oferta real”, apontou.
Uma Solução Conjunta entre Setor Público e Privado
A solução para este cenário, segundo a especialista, envolve não apenas a oferta de salários justos, mas também a criação de ambientes que atendam às necessidades dos trabalhadores. É fundamental o desenvolvimento de planos de carreira e oportunidades de qualificação profissional para atrair e reter talentos.
“É um verdadeiro casamento entre políticas públicas que permitam à população disponibilizar sua força de trabalho e a disposição das empresas de se adaptarem às novas tendências do mercado”, concluiu Marília, enfatizando a importância dessa colaboração para o futuro econômico do Espírito Santo.

