História de Superação e Conquista
Anos após iniciar sua jornada acadêmica, Maria Clara, uma estudante de uma escola pública localizada em Itarantim, no sudoeste da Bahia, embarcará no dia 31 de janeiro para estudar Engenharia de Computação na Augustana University, situada na Dakota do Sul. Esta conquista é resultado de um processo seletivo extenso e diferente do tradicional vestibular brasileiro.
Formada pelo Colégio Estadual de Tempo Integral Adinália Pereira de Araújo, Maria Clara concluiu o ensino médio em 2023 e, mesmo com apenas 18 anos, foi aprovada em outras sete instituições de ensino superior nos Estados Unidos, além de garantir seu lugar em universidades brasileiras renomadas, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Preparação e Dedicação ao Longo dos Anos
Maria Clara compartilhou com o portal G1 que a preparação para os vestibulares internacionais começou nos tempos do ensino fundamental, exigindo um compromisso rigoroso com os estudos, apoio da família e da escola. “Era algo que nunca tinha visto na minha cidade ou região. Parecia muito distante para mim”, relembra a jovem.
Com o objetivo de alcançar suas metas, ela começou a explorar informações sobre o processo seletivo, assistiu a relatos de estudantes que conseguiram aprovação, além de buscar vídeos que detalhavam a experiência de quem já tinha vivido essa trajetória.
Durante o processo, Maria Clara se inscreveu em diversos cursos e recebeu aceitação em áreas como Engenharia Aeroespacial, Matemática e Engenharia Mecânica, mas decidiu por Engenharia de Computação, área que mais a atrai e com grandes perspectivas no mercado americano. “Os Estados Unidos têm um setor forte nesta área, repleto de oportunidades em grandes empresas e centros de tecnologia”, explica.
Seleção Diferenciada e Desafios
Diferente do vestibular brasileiro, a seleção para universidades nos EUA considera diversos fatores. Além das notas do ensino médio, a estudante precisou realizar o Scholastic Assessment Test (SAT), um dos principais exames de admissão nos EUA, além de uma prova de proficiência em inglês. Outras exigências incluíram cartas de recomendação, atividades extracurriculares, prêmios e redações pessoais que descrevem sua trajetória e objetivos, junto à apresentação de documentação financeira.
Maria Clara dedicou cerca de quatro anos de preparação antes de se candidatar, com foco em manter boas notas e participar de Olimpíadas de conhecimento, o que solidificou seu currículo. O processo de candidatura levou aproximadamente um ano, contemplando a elaboração de provas e redações.
A Escolha da Augustana University
Apesar de ter recebido aprovações em instituições brasileiras, Maria Clara optou por não se matricular, pois seu sonho de estudar no exterior já estava bem definido. Para comprovar sua fluência em inglês, ela realizou um curso específico para o Test of English as a Foreign Language (TOEFL), embora para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), não houve uma preparação específica.
Na hora de escolher a Augustana University, ela considerou fatores como o curso oferecido e a tranquilidade do estado, além de a instituição estar alinhada com seus valores religiosos. “A Augustana é uma faculdade cristã, e isso foi importante para mim, porque sou católica”, afirma. Outro aspecto decisivo foi a oferta de uma bolsa de estudos que cobre integralmente a anuidade, enquanto as despesas com moradia e alimentação ficarão a cargo de sua família. Maria Clara também recebeu propostas de instituições como a Stetson University, na Flórida, e a Loyola University, na Louisiana, mas decidiu pela Augustana.
O Apoio da Escola e a Importância do Ensino Público
O suporte da escola, especialmente do diretor Amisson Nunes e dos professores, foi fundamental para a conquista de Maria Clara. Eles ajudaram nas inscrições para Olimpíadas, na elaboração de documentos e cartas de recomendação, além de disponibilizar equipamentos para os exames. “Sempre tive muito apoio. Eles acreditaram em mim e diziam: ‘Você vai conseguir'”, relata a estudante, que conquistou medalhas em diversas Olimpíadas, como a Brasileira de Astronomia e Astronáutica e a Canguru de Matemática.
Com essa trajetória de dedicação e superação, Maria Clara se torna um exemplo inspirador, mostrando que com esforço, planejamento e apoio, é possível alcançar sonhos que parecem distantes.

