A Nova Aposta das Empresas Gaúchas no Rio de Janeiro
A Confraria do Samba, uma escola de dança que nasceu em Porto Alegre há 18 anos, está prestes a dar um passo ousado: expandir para o Rio de Janeiro. Com uma trajetória que já conta com mais de 16 mil alunos formados, a escola se prepara para trazer os passos do pagode para a capital do samba, fazendo parte de um movimento mais amplo de empresas do Rio Grande do Sul em busca de novas oportunidades na Cidade Maravilhosa.
A ideia de inaugurar uma unidade no Rio surgiu da parceria entre Paulo Roberto Pereira, conhecido como Mestre Paulinho, e o renomado dançarino e coreógrafo Marcelo José Alves, ou Marcelo Chocolate. Amigos de longa data, Chocolate percebeu o potencial do método de ensino desenvolvido no Sul e incentivou Paulinho a realizar essa expansão. A expectativa é que a nova escola comece a funcionar até o final de 2026.
“Queremos abrir essa escola o quanto antes”, afirma Paulinho. No entanto, ele ressalta que um dos maiores desafios é encontrar um espaço adequado que se adapte à realidade carioca, onde os custos e a dinâmica urbana diferem bastante. Apesar das dificuldades, ele se mostra confiante: “A escola está preparada para isso. Temos a estrutura e a metodologia necessárias para avançar”, destaca.
Um Diferencial Cultural na Dança
A primeira unidade da Confraria no Rio de Janeiro será localizada no centro da cidade, uma área estratégica que atrai alunos de diversos bairros. A meta inicial é inscrever entre 300 e 400 alunos rapidamente, replicando o sucesso já alcançado em cidades gaúchas como Canoas e Novo Hamburgo.
A proposta da Confraria do Samba se destaca por não ser uma simples competição com as escolas de dança locais, mas sim por complementar a rica cena cultural carioca. Como explica Chocolate, “No Rio, a tradição do samba e da gafieira é forte, mas o estilo de dançar pagode como fazemos no Sul ainda não existe. É uma dança leve que pode ser praticada em qualquer lugar, e estou certo de que o público carioca vai adotar essa nova proposta.”
Além de promover o pagode, a Confraria oferece uma metodologia de ensino que permite que os alunos aprendam de forma rápida, mesmo sem um parceiro. No Rio, a equipe contará com alunos bolsistas e instrutores capacitados, sempre com suporte administrativo da matriz gaúcha. A escolha do parceiro Chocolate também simboliza um reconhecimento a nível nacional, já que a Confraria foi destacada como a maior escola do Brasil em número de alunos durante um evento em São Paulo.
A Expansão de Gastronomia Gaúcha no Rio de Janeiro
Outra empresa gaúcha, o Di Paolo, também fez sua entrada triunfal no Rio de Janeiro, inaugurando sua unidade no Casa Shopping, no bairro Barra da Tijuca, há seis meses. O restaurante é conhecido por seu prato típico, o galeto al primo canto, uma iguaria da culinária italiana trazida pelos imigrantes que se estabeleceram no Sul do Brasil.
Segundo Paulo Geremia, um dos fundadores da rede, a escolha do local foi estratégica, levando em conta a forte presença de gaúchos na região e o fluxo turístico intenso do local. “Fizemos uma pesquisa que mapeou 90 possíveis locais para abrir nossas unidades no Brasil e o Rio foi uma escolha certeira, sendo uma grande metrópole com muitos gaúchos”, explica Paulo.
Os desafios logísticos incluem garantir a qualidade e o padrão em todas as unidades, uma tarefa que envolve um sistema de entregas semanais com os produtos vindos do Rio Grande do Sul. “É primordial homologar nossos fornecedores locais para complementar o que não conseguimos enviar diretamente do Sul”, acrescenta Paulo.
O Futuro Promissor no Mercado Carioca
Com uma visão otimista sobre o mercado carioca, Paulo já considera a possibilidade de abrir novas unidades, mirando principalmente a Zona Sul, onde a demanda por experiências gastronômicas de qualidade é alta. “O Rio de Janeiro não pode ficar de fora dos planos de expansão de grandes marcas, dada sua população e potencial de consumo”, destaca.
A expansão das empresas gaúchas no Rio representa não apenas uma oportunidade de crescimento econômico, mas também um intercâmbio cultural. Paulinho e Paulo concordam que cada passo dado na cidade vai além do simples crescimento comercial; é uma forma de levar a cultura do Sul para um dos berços do samba, celebrando a diversidade cultural do Brasil.

