Iniciativa Cultural para Periferias
O Instituto Marielle Franco anunciou a criação de um fundo destinado a financiar projetos culturais nas periferias do Brasil. Serão contemplados um total de dez projetos, que receberão um apoio financeiro que varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. As inscrições estão abertas até o dia 10 de abril e podem ser feitas tanto por pessoas físicas quanto jurídicas. Uma das diretrizes do edital é a prioridade concedida a mulheres negras e pessoas LGBTQIAP+ que atuam nas comunidades periféricas. Os projetos selecionados deverão ser implementados entre junho e dezembro deste ano.
Além do suporte financeiro, os selecionados terão a oportunidade de participar de uma formação em direitos culturais e democracia, fruto de uma colaboração com instituições renomadas, como a People’s Palace Projects, vinculada à Queen Mary University of London, e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Ao final do processo, a intenção é compilar as experiências em um documento que poderá servir como base para sugestões de políticas públicas voltadas para o setor cultural.
Frentes de Apoio Cultural
O edital abrange três frentes principais para o apoio às propostas: cultura e fortalecimento da democracia; cultura e acesso à justiça; e cultura e preservação da memória. As atividades propostas podem incluir desde rodas de rima e intervenções urbanas até teatro, cineclubes, exposições e publicações comunitárias. O resultado da seleção será divulgado no dia 20 de abril, trazendo à tona os projetos que se destacarão pela relevância e impacto social.
A criação deste fundo está alinhada com a percepção de que a produção cultural nas periferias desempenha um papel crucial na mobilização social e na afirmação política. Nos últimos anos, o Instituto Marielle Franco tem se empenhado em ações que conectam arte, memória e direitos humanos, sendo um exemplo disso o Festival Justiça por Marielle e Anderson, que tem sido realizado em espaços públicos na cidade do Rio de Janeiro.
Ampliação do Trabalho Cultural
A diretora executiva do instituto, Luyara Franco, destacou que o fundo tem como objetivo ampliar o trabalho já existente, oferecendo suporte a iniciativas que estão em curso nos territórios e reconhecendo a força política e cultural que emana das periferias. “Estamos falando de um recurso que não apenas financia, mas que também fortalece a identidade e a luta por direitos”, afirmou.
O lançamento do fundo aconteceu no dia 1º de abril, coincidindo com a intensificação do debate público sobre o caso de Marielle Franco e Anderson Gomes, especialmente com a recente condenação dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio e ex-deputado federal, além do ex-delegado Rivaldo Barbosa. Também foram condenados, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-major da PM Ronald Paulo Alves e o ex-cabo Robson Calixto, ambos implicados no assassinato de Marielle e Anderson.
Memória e Justiça nas Periferias
Para o Instituto Marielle Franco, investir na cultura dentro dos territórios é uma forma eficaz de manter viva a luta por memória, justiça e participação política, temas que estão profundamente ligados à trajetória da vereadora assassinada. Mais informações sobre o fundo e o formulário para inscrições estão disponíveis nos canais oficiais do instituto, potencializando oportunidades para que vozes das periferias sejam ouvidas e valorizadas no cenário cultural brasileiro.

