Retrospectiva da Gestão de Lewandowski
Desde sua posse em 1º de fevereiro de 2024, Luiz Fux Lewandowski assumiu um dos papéis mais desafiadores da administração pública brasileira ao liderar o Ministério da Justiça. Durante seu período à frente da pasta, ele se deparou com questões críticas, como a situação na Venezuela, que foi discutida em uma conversa com o presidente do México, focando no respeito ao direito internacional. No entanto, sua gestão também foi marcada por polêmicas e crises significativas.
Lewandowski encaminhou ao Congresso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o Projeto de Lei (PL) Antifacção, ambos em tramitação. A PEC visa ampliar a atuação da União na segurança pública, enquanto o PL estabelece um marco legal para o combate ao crime organizado, com penas mais severas para facções e milícias.
Desafios Marcantes: A Fuga em Mossoró
A primeira e mais significativa crise do ministro foi a fuga de dois detentos da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 2024. Essa ocorrência foi considerada inédita em estabelecimentos de segurança máxima e gerou uma onda de repercussão negativa. Os fugitivos foram recapturados cerca de 50 dias depois, no Pará, mas o episódio provocou uma revisão nas estruturas e protocolos dos presídios federais.
Nos bastidores, Lewandowski já manifestava a intenção de deixar o cargo, alegando que havia cumprido sua missão. O anúncio do presidente Lula sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública, com o intuito de desmembrar a pasta da Justiça, causou desconforto entre os membros da equipe de Lewandowski, intensificando as especulações sobre sua saída.
Em sua carta de demissão, ele destacou que exerceu suas funções com “zelo e dignidade”, enfatizando a busca incessante pelo melhor desempenho, apesar das limitações políticas e orçamentárias enfrentadas.
Reformas e Novas Diretrizes
Outro marco importante da gestão de Lewandowski foi a implementação do novo decreto sobre posse de armas. Essa medida transferiu a fiscalização de colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) do Exército para a Polícia Federal (PF). Especialistas em segurança pública alertaram que a falta de acesso a bancos de dados de polícias civis e da Justiça pelo Exército permitia a concessão de licenças a indivíduos com antecedentes criminais, incluindo aqueles envolvidos em tráficos de drogas, conforme apontou um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU).
Investigação dos Assassinatos de Marielle Franco
No âmbito das investigações sobre os assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes, a PF anunciou, em 2024, a prisão dos suspeitos de serem os mandantes do crime. Entre os detidos estavam o deputado Chiquinho Brazão, sem partido do Rio de Janeiro, e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão. Ambos foram acusados de contratação do executor Ronnie Lessa, enquanto o ex-chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, foi apontado como envolvido na tentativa de acobertar as ações deles.
Essas ações, somadas à condução de Lewandowski no Ministério da Justiça, demonstram tanto os desafios quanto as conquistas do ministério em um período conturbado na política brasileira. A intersecção entre segurança pública e direitos humanos continua sendo uma questão central, especialmente em um momento histórico onde as expectativas da população se encontram em um nível elevado.

