Pesquisa Promissora para o Rastreio do Câncer de Pulmão
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) deu início a um estudo pioneiro voltado para a avaliação da viabilidade de um programa de rastreamento do câncer de pulmão dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta iniciativa, que conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e é financiada pela biofarmacêutica AstraZeneca, tem como objetivo gerar evidências científicas que possam fundamentar uma futura diretriz nacional.
Com um prazo de dois anos para a conclusão, a pesquisa começará com ao menos 397 participantes, podendo esse número ser ampliado conforme necessário. A seleção dos indivíduos será feita em parceria com o Programa de Cessação do Tabagismo do município, que atende cerca de 50 mil pessoas. Este grupo é considerado prioritário, pois aproximadamente 80% dos casos de câncer de pulmão estão relacionados ao consumo de tabaco, uma realidade preocupante e que requer atenção especial.
Diagnóstico Precoce: A Chave Para a Sobrevivência
A tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) será a principal ferramenta utilizada neste estudo, já consagrada internacionalmente como método eficaz para o rastreamento do câncer de pulmão. Estudos anteriores demonstram que o uso deste tipo de exame pode reduzir a mortalidade pela doença em até 20%. Quando combinado com programas de cessação do tabagismo, essa redução pode chegar a impressionantes 38%.
Ademais, a TCBD se destaca por sua capacidade de detectar a doença em estágios iniciais, o que é crucial. Hoje, cerca de 90% dos diagnósticos de câncer de pulmão são feitos em fases avançadas. A expectativa é que, com o rastreamento, essa porcentagem possa ser reduzida para cerca de 30% entre as populações que passam pelo monitoramento.
Critérios de Seleção e Tratamento Adequado
Os critérios para elegibilidade dos participantes seguem as orientações de diversas entidades médicas brasileiras. Os convocados para o estudo serão pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes (aqueles que pararam há até 15 anos) e que tenham um histórico de alto consumo de cigarros durante suas vidas. Essa categorização é fundamental, uma vez que permite focar em indivíduos que estão em maior risco de desenvolver a doença.
Os pacientes que receberem um diagnóstico positivo para câncer de pulmão serão direcionados para acompanhamento e tratamento no Hospital do Câncer I (HC I), unidade de referência do Inca no Rio de Janeiro, que faz parte da rede de alta complexidade do SUS. Este encaminhamento é essencial para garantir que esses pacientes recebam o tratamento adequado e em tempo hábil.
Um Desafio de Saúde Pública
O câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte por câncer no Brasil. Em 2024, foram registrados mais de 32 mil óbitos, número que supera a soma das mortes causadas pelo câncer de mama e próstata no mesmo ano. A alta taxa de mortalidade está intimamente ligada ao diagnóstico tardio, com cerca de 84% dos casos sendo identificados em estágios avançados, o que limita significativamente as opções de tratamento.
Diante deste cenário alarmante, o estudo do Inca busca determinar se o rastreamento do câncer de pulmão é uma estratégia viável dentro da realidade do SUS e se essa abordagem pode ser estendida a nível nacional. Essa pesquisa pode representar um divisor de águas na luta contra a doença no Brasil, oferecendo a oportunidade de transformar o panorama atual e salvar vidas.

