Inflação em Queda, Mas Desafios Persistem
Nesta sexta-feira (9), o IBGE divulgou que o IPCA de dezembro ficou em alta de 0,33%, resultando em uma inflação anual de 4,26% para 2025. Esse patamar é considerado o mais baixo desde 2018, quando a inflação geral foi de 3,75%. Entretanto, especialistas ressaltam que, apesar desse resultado positivo, a inflação ainda está acima da meta central de 3%, o que preocupa.
A pressão sobre os serviços, especialmente aqueles que dependem da mão de obra, continua a ser uma preocupação crescente. O economista da XP, Alexandre Maluf, destacou que, conforme indicado pelo IPCA-15, os serviços apresentaram uma aceleração em dezembro, enquanto alimentos e bens industrializados mantiveram preços mais estáveis. “Essa situação exige cautela do Banco Central, principalmente em relação ao possível início do ciclo de cortes de juros no próximo ano”, comentou Maluf.
Expectativas de Crescimento nos Preços dos Serviços
Maluf também chamou atenção para a inflação subjacente de serviços, que exclui itens voláteis como passagens aéreas. Em dezembro, essa inflação subiu 0,56% em relação ao mês anterior, ligeiramente acima da projeção da XP de 0,54%. “Isso eleva a média móvel trimestral anualizada de 4,0% para 5,1% em dezembro, refletindo a dissipação de uma queda significativa nos preços de seguros de automóveis”, explicou.
Além disso, os serviços que requerem mais mão de obra apresentaram um aumento de 0,77% em dezembro, superando a expectativa de 0,71%. Esse crescimento significativo sugere um fortalecimento do mercado de trabalho, conforme indicado pelos dados do CAGED e da PNAD Contínua. Maluf acredita que, embora a inflação de serviços deva desacelerar em 2026, essa desaceleração será moderada, passando de 6,0% para 5,3% devido à melhora nas expectativas de inflação e ao impacto tardio da taxa Selic.
Desempenho do IPCA e Previsões para 2026
Com base nos dados de dezembro, o economista da XP reafirmou que o Copom deve iniciar o ciclo de flexibilização monetária em março, especialmente considerando a aceleração observada nas métricas de serviços. “Mantemos nossa projeção de IPCA em 4,0% para 2026”, afirmou Maluf.
André Valério, economista sênior do Inter, fez uma análise semelhante, ressaltando que o grupo de Habitação foi o único a apresentar deflação, com uma queda de 0,33%, enquanto o grupo de Transportes teve uma alta de 0,74%, impactando o IPCA em 0,15 ponto percentual. A disparada nos preços de transportes por aplicativo, que subiram 13,8%, e nas passagens aéreas, que aumentaram 12,6%, contribuiu significativamente para essa alta.
Perspectivas e Desafios Futuros
Valério também observou que o grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve um aumento de 0,52% e a inflação de Alimentos e Bebidas subiu 0,27%, revertendo meses de inflação moderada. Essas oscilações foram fortemente influenciadas por aumentos em produtos como cebola e carnes. Apesar da desinflação em 2025, Valério considera que o resultado de dezembro mostra uma piora qualitativa, o que pode dificultar cortes na taxa de juros na reunião de janeiro.
Por sua vez, o economista do PicPay, Matheus Pizzani, acredita que o IPCA se comportou de forma previsível, com destaque para a reversão do grupo de Alimentação no Domicílio. Ele prevê que o IPCA deve aumentar no primeiro trimestre de 2026 devido a fatores sazonais e reajustes de preços administrados. Contudo, após esse período, a expectativa é de uma desaceleração na inflação, alinhada a um arrefecimento da atividade econômica e do mercado de trabalho.
Inflação Eleitoral e Riscos à Vista
Rafael Perez, economista da Suno Research, acrescentou que o resultado do IPCA não altera as expectativas de um ciclo de cortes de juros no Brasil. Ele observou que a inflação de serviços está acima de 6%, o que representa riscos adicionais, especialmente em um ano eleitoral, que geralmente traz aumento de gastos públicos e estímulos ao consumo.
Heliezer Jacob, economista do C6 Bank, também expressou preocupações com a inflação em 2026, prevendo um IPCA em torno de 4,8%. Ele ressaltou que o controle da inflação será desafiador, uma vez que o mercado de trabalho deve continuar aquecido. Com a expectativa de que o ciclo de cortes de juros comece em março, Jacob prevê uma Selic de 13% até o final de 2026.

