Novas Perspectivas para o Julgamento do Governador do Rio
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estão avaliando que o julgamento, que pode resultar na cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), não será finalizado na próxima sessão marcada para o dia 10 de março. Segundo informações obtidas por O Globo, a expectativa é de que a análise seja novamente interrompida, desta vez devido a um novo pedido de vista.
No último dia 23, o ministro Antonio Carlos Ferreira havia solicitado vista do caso, o que suspendeu temporariamente a votação. Agora, com a liberação do voto por Ferreira na última quinta-feira, o processo foi rapidamente agendado pela presidente do TSE, Cármen Lúcia. Esse desfecho pode ter consequências significativas nas próximas eleições do estado, considerando que Cláudio Castro tem planos de concorrer a uma vaga no Senado.
As acusações contra o governador envolvem supostos abusos de poder político e econômico, especificamente relacionados ao uso da Fundação Ceperj e da Uerj para a contratação de cabos eleitorais. Castro nega todas as imputações. O deputado estadual Rodrigo Bacellar, atual presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), também é alvo desse processo.
Se o governador for cassado, isso poderá desencadear uma mudança na linha sucessória do estado, alterando o comando atual. O voto da relatora, ministra Isabel Gallotti, que foi o único apresentado até o momento, se mostrou desfavorável a Castro, recomendando ainda a realização de eleições suplementares para o governo do estado e a retotalização dos votos na Assembleia Legislativa após a cassação de Bacellar.
O inquérito investiga a possibilidade de que Castro tenha se beneficiado de um esquema de distribuição de cargos e recursos visando assegurar apoio político. A ministra, em seu voto, classificou o caso como uma situação de “circunstâncias extremamente graves”.
Segundo Gallotti, “ao serem consideradas em conjunto, as condutas evidenciam um sistema estruturado de uso da máquina administrativa estadual e seus recursos para influenciar diretamente nas eleições”. Ela também criticou a decisão anterior do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que absolveu a chapa de Castro por uma votação apertada de 4 a 3.
As investigações em torno do governador continuam, com a conclusão do relatório da Polícia Federal relacionado ao caso da Ceperj, o que poderá impactar ainda mais o desfecho do julgamento no TSE. Segundo informações de Lauro Jardim, essa nova fase do inquérito pode trazer à tona elementos que reforcem as acusações contra o governador.

