Calor nas Salas de Aula: Um Desafio Urgente
O Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro lançou um alerta sobre os riscos enfrentados pelos alunos nas salas de aula durante os dias quentes. O calor excessivo, que já fez com que estudantes desmaiassem em ambientes com temperaturas que chegaram a 42 °C, não só compromete o aprendizado como também afeta diretamente a saúde dos jovens. No último verão, o MP registrou 52 episódios graves relacionados a esse problema, evidenciando a necessidade de ações imediatas nas escolas da rede.
Em setembro passado, o MP solicitou à Secretaria Estadual de Educação um relatório detalhado sobre a situação das escolas, mas, até o momento, não recebeu uma resposta satisfatória. Diante dessa falta de retorno, a entidade decidiu, em outubro, entrar com uma ação judicial que exige informações sobre a infraestrutura das escolas e um plano efetivo para resolver as questões identificadas.
Recentemente, a Justiça atendeu parcialmente ao pedido do MP. O governo estadual deverá apresentar, em um prazo de 90 dias, um diagnóstico atualizado da situação de dez escolas situadas nas zonas Norte e Oeste da capital fluminense, onde as reclamações sobre o calor são mais frequentes. Além disso, haverá uma exigência para que um plano de ação emergencial seja entregue em até 60 dias, incluindo um cronograma detalhado das ações e gastos necessários para a implementação das soluções.
Expectativas e Desafios para a Comunidade Escolar
Embora a decisão judicial tenha sido considerada um avanço, o MP ressalta que as medidas ainda são insuficientes, dada a urgência da situação. Para o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação, a falta de uma política adequada para lidar com o intenso calor do início do ano letivo é preocupante. A entidade enfatiza que a climatização das salas de aula é um direito fundamental para alunos, professores e demais funcionários das escolas.
Com os prazos estabelecidos pela Justiça, a expectativa é que os estudantes da rede estadual enfrentem mais um verão sem a devida climatização, enquanto as soluções necessárias continuam em fase de planejamento.
A Secretaria Estadual de Educação, por sua vez, destacou que aproximadamente 97% das unidades da rede estadual já possuem ambientes climatizados. A pasta assegura que está em processo de garantir a climatização total das escolas. Em relação às unidades mencionadas no relatório do MP, a secretaria informou que apenas o Colégio Estadual João Cabral de Melo Neto, localizado no Méier, ainda não possui ar-condicionado. Contudo, já está sendo realizado um trabalho para adequar a rede elétrica visando a instalação dos aparelhos de climatização.

