Ouro e Diversidade: A Mensagem de Lucas Pinheiro
Ao conquistar a medalha de ouro nos Jogos de Inverno, Lucas Pinheiro viveu um turbilhão de emoções. “Senti muitas emoções e muito orgulho, naturalmente. Mas a coisa mais linda para mim, pessoalmente, é a conversa que se abriu por causa dessa conquista, sabe? Não é sobre a medalha mesmo. Para mim, a medalha é um microfone. Ela abriu uma conversa sobre identidade e diversidade, que são a riqueza do nosso país, da cultura brasileira. Eu quero celebrar com esse ouro que agora é nosso”, reflete o esquiador.
Longe das competição por um tempo, Lucas iniciou sua jornada esportiva aos 9 anos. Ele representou a Noruega nos Jogos de Inverno de 2022, em Pequim, onde não obteve medalhas. Após um desentendimento com a federação norueguesa em 2023, decidiu se afastar do esporte por um breve período. Contudo, sua paixão pelo esqui o trouxe de volta ao cenário competitivo, desta vez vestindo as cores do Brasil.
A Pressão de Representar o Brasil
O retorno ao torneio olímpico não foi fácil. Lucas admitiu que a pressão era intensa. “Naturalmente, a pressão foi grandona, porque sei que o caminho que estou andando é muito diferente. Mas é o meu caminho, é o certo para mim. Estou apresentando minhas cores verdadeiras, minha personalidade, minha história de um jeito que é conectado com o meu propósito: inspirar pessoas de todos os cantos do mundo”, destaca ele, agora medalhista.
Sobre a expectativa de trazer uma medalha para o Brasil, ele explica: “Disse para o povo brasileiro que estava aqui para trazer a medalha. E isso traz a pressão. Mas eu queria ser autêntico, e foi importante trazer essa energia, essa competição, essa confiança. E o povo brasileiro me deu essa confiança de volta”.
Apoio e Reconhecimento na Noruega
Mesmo com uma relação delicada com sua antiga federação, Lucas Pinheiro recebeu apoio de muitos noruegueses. “Essa história talvez seja um pouco sensível para o povo na Noruega, mas tem metade (do país) celebrando o que eu fiz, uma mudança, um crescimento, uma outra perspectiva. Muitas pessoas gostariam que eu ainda estivesse representando a Noruega. Mas estou esquiando com meu coração. Quando consigo isso, sou o melhor esquiador. E isso eu consegui nesse dia, trazendo ouro pelo Brasil”, afirma ele, com um sorriso no rosto.
Reflexões sobre Sucessos e Fracassos
Após conquistar o ouro, Lucas não deixou que a eliminação na prova de slalom o desmotivasse. “Esse é o balanço fino do nosso esporte, que é muito complicado e complexo. A sensação linda que tenho em dias como o do ouro é porque consegui conectar todos esses. Mas nos dias em que dá tudo errado, que você cai, cria-se o sucesso lá na frente. É uma história muito boa para o povo ver como nada é absoluto. E o ouro é o resultado de todos os dias em que dá errado. Isso é o crescimento que me deixa ser o atleta que vou ser quando acordar amanhã, entende? Eu abraço o sucesso e esses dias em que tudo dá errado com gratidão, porque eu sou um produto dos dois”, reflete o atleta.
Momentos de Calmaria e Próximos Passos
Após a frenesia das competições, Lucas agora desfruta de momentos tranquilos. Ele visitou a Casa Corona, um espaço destinado aos atletas patrocinados pelos Jogos de Inverno, e planeja assistir a amigos que continuam competindo em Milão-Cortina. O esquiador também está ansioso para se divertir: “Vou para uma balada na montanha e, depois, dormir sozinho em uma cúpula de neve, também na montanha, para ficar um pouco distante de todo mundo”.
Lucas está ansioso para retornar ao Brasil após meses fora. “Estou sentindo uma alegria e uma paz tão grandes. Vou voltar para o Brasil pela primeira vez após quatro ou cinco meses sem ir. E vou dar um abraço nas pessoas que eu amo, sabe? E sentir a terra brasileira no meu pé, estou muito animado para isso. E é claro que uma dessas pessoas vai ser a minha namorada, a Isadora (Cruz, atriz), que me inspira muito, que me acompanha nessa jornada. E eu mal posso esperar para compartilhar tudo isso com ela também”.
A Preparação para o Futuro
Apesar da celebração, Lucas sabe que já é hora de voltar à rotina de treinos. “A temporada da Copa de Mundo de Esqui não acabou, não. Eu preciso retornar em breve, continuar a preparação. Preciso treinar para as primeiras competições na Eslovênia e na Noruega, nos dias 7 e 8 de março”.

