A Vigilância que Faz a Diferença
Na Região dos Lagos, uma operação da Prefeitura de Cabo Frio resultou na prisão de 13 indivíduos suspeitos de envolvimento em atividades ilícitas. O caso ganhou destaque após um motorista de aplicativo denunciar uma situação alarmante envolvendo crianças e um homem identificado como Floyd, levando à apreensão de materiais comprometedores.
O motorista, que preferiu manter sua identidade em sigilo para proteger sua família, expressou alívio ao saber que Floyd estava sob custódia. “Você se depara com um monstro, com uma pessoa que se dedica a destruir infâncias e vidas. É aterrorizador”, relatou ele, destacando os horrores da exploração infantil.
Durante a ação policial, foram recuperados celulares, um notebook, cartões de memória, pen drives, um relógio com câmera oculta e até bichinhos de pelúcia, que, segundo a polícia, eram utilizados para atrair as vítimas.
Como Tudo Começou
A denúncia que desencadeou a investigação começou durante uma corrida em 8 de dezembro. O motorista foi chamado para buscar passageiros na Zona Norte do Rio, com destino a Santa Teresa. Ao chegar ao local, ele percebeu que duas meninas, que entraram em seu veículo, estavam em uma situação incomum. “Elas estavam falando entre si para usar o Google Tradutor”, explicou. Esse detalhe chamou sua atenção, especialmente porque eram crianças que não falavam o idioma.
Inquieto, o motorista fez perguntas às garotas. “Vocês sabem para onde estão indo?” e, para sua surpresa, a resposta foi negativa. “Começaram a soar os alarmes, os alertas”, revelou. Ele continuou a questioná-las, e a situação se tornou ainda mais preocupante quando notou que, ao serem indagadas sobre a pessoa que pediu a corrida, elas riam nervosamente.
Chegando ao destino, o motorista avistou Floyd esperando pelas meninas. Para não levantar suspeitas, ele passou do endereço intencionalmente. “Fiquei preocupado: será que deixei essas crianças em perigo extremo?” Com essa dúvida, decidiu agir e denunciou o caso a um posto de gasolina nas proximidades.
Investigação e Resultados
A polícia foi acionada, e segundo a delegada Luiza Machado, da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), a Uber colaborou com a investigação, informando que as condutas de Floyd indicavam forte suspeita de exploração e turismo sexual. A primeira corrida citada ocorreu no dia 8 de dezembro, e a última, em 19 de dezembro, quando Floyd fugiu para São Paulo.
Ao entrar em seu apartamento, as autoridades encontraram um cenário caótico, repleto de dispositivos de gravação escondidos, como câmeras, e objetos que poderiam ser utilizados para atrair crianças, como óculos de realidade virtual. Floyd, que atuava como influenciador, estava sendo investigado por gravar suas vítimas sem consentimento, utilizando um relógio disfarçado.
A delegada descreveu Floyd como um homem de extrema periculosidade e destacou que ele estava associado a um movimento conhecido como “passport bro”, que atrai indivíduos a países de menor desenvolvimento em busca de exploração sexual devido à vulnerabilidade das crianças locais.
O Impacto da Denúncia
A investigação apura se entre oito a doze crianças podem ter sido vítimas de Floyd durante sua estada no Rio de Janeiro, e as autoridades estão aprofundando as investigações para descobrir se há uma rede criminosa ou intermediários envolvidos no caso. O consulado americano está ciente da situação, mas optou por não comentar detalhes específicos por questões de privacidade.
“Tudo isso foi iniciado pela postura de um motorista de aplicativo que teve a sagacidade de perceber que aquela situação não era normal”, destacou a policial. A Uber, por sua vez, anunciou que, em parceria com a ONG The Exodus Road Brasil, está proporcionando treinamentos aos motoristas sobre como lidar com situações semelhantes, visando reforçar a proteção de crianças contra a exploração sexual.
A atuação do motorista é um exemplo do papel crucial que todos podem desempenhar na luta contra a exploração infantil, enfatizando a necessidade de estarmos atentos e dispostos a agir diante de situações suspeitas.

