Críticas à Nomeação de Messias
O senador e ex-vice-presidente Hamilton Mourão, do Republicanos-RS, manifestou sua oposição à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), cargo que ficou vago após a saída de Luís Roberto Barroso. Mourão, em entrevista ao R7, enfatizou que votará contra a nomeação, alegando que Messias não possui as credenciais necessárias para integrar a Suprema Corte.
“Ele pode ter várias capacidades, mas não para este cargo. Portanto, meu voto será contrário”, declarou Mourão, que se recusou a se reunir com Messias, que tem buscado apoio entre os senadores. O senador afirmou que a indicação reflete uma militância política que comprometeria a imparcialidade esperada de um magistrado.
“Não se trata apenas de conduta ilibada; é evidente que ele possui uma militância política em favor do Partido dos Trabalhadores, o que pode afetar sua imparcialidade como juiz”, acrescentou.
Expectativas sobre a Sabatina e Apoio na CCJ
Durante a entrevista, Mourão criticou o formato da sabatina no Senado, ressaltando que este processo deveria ter mais etapas e não se limitar a uma única sessão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Nos Estados Unidos, a sabatina pode levar de três a quatro meses, permitindo que se explore todos os aspectos relevantes sobre o indicado”, destacou.
Questionado sobre o apoio de Messias na CCJ e no plenário, Mourão expressou ceticismo: “Atualmente, ele não possui os votos necessários na CCJ. Independentemente disso, sua indicação será levada ao plenário, seja com parecer positivo ou negativo”.
Prioridades do Congresso e Cenário Político
Discutindo as prioridades do Congresso após a janela partidária, Mourão apontou temas pendentes como a reforma política e a revisão do Código Eleitoral, além da atualização do Código Civil, que já está desatualizado há décadas. Ele enfatizou que a agenda do governo traz desafios que precisam ser debatidos, especialmente em um ano eleitoral.
A respeito da CPI do Crime Organizado, o senador mencionou que a comissão enfrenta dificuldades, e que o tempo para finalizar seu relatório é limitado. “A CPI só se reúne duas vezes por semana, o que é insuficiente para uma investigação completa. O escopo inicial foi ampliado, e as dificuldades em convocar testemunhas têm comprometido os trabalhos”, avaliou Mourão.
Perspectivas para as Eleições de 2026
Sobre o cenário eleitoral de 2026, Mourão citou o deputado Luciano Zucco como candidato do Republicanos no Rio Grande do Sul e mencionou a necessidade de apoio a Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, em um contexto de divisões na direita. “A candidatura do Flávio está bem consolidada e acredito que ele tem grandes chances de vencer”, afirmou.
Por fim, Mourão tocou na questão das disputas internas entre membros da direita, sugerindo que discussões pessoais devem ser tratadas de forma menos pública, evitando desavenças nas redes sociais que não levam a resultados produtivos.
Desafios Econômicos e o Futuro do Brasil
Em relação aos desafios econômicos que o próximo presidente enfrentará, Mourão destacou a necessidade de uma reavaliação das contas públicas. “O governo atual não tem compromisso com o equilíbrio fiscal, o que impacta diretamente a inflação e o endividamento das famílias. O novo presidente terá que implementar ajustes significativos”, afirmou.
Ele também comentou sobre a recente proposta do governo para controlar os preços dos combustíveis e expressou preocupação com a efetividade dessas medidas. “As ações foram estabelecidas com prazos curtos, o que pode não ser suficiente para lidar com a realidade do mercado”, alertou.
Considerações sobre o Julgamento no STM
Por último, Mourão falou sobre o julgamento que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro no Superior Tribunal Militar (STM), destacando que a avaliação se concentrará na honra militar. “Este julgamento não se relaciona com as acusações feitas pela Suprema Corte; é uma análise distinta da dignidade dos oficiais envolvidos”, concluiu.

