Espaço que celebra a cultura do café
O Centro do Rio de Janeiro está prestes a ganhar um espaço especial que homenageia um dos produtos mais emblemáticos do Brasil: o café. Parte do programa Reviver Centro Cultural, da Prefeitura do Rio, o Museu do Café está em fase de construção e deve ser inaugurado até o fim do ano. Este projeto ambiciona não apenas resgatar a história do café no Brasil, mas também abordar questões contemporâneas como a sustentabilidade e a inovação tecnológica na produção do grão.
Cobrindo uma área de 700 metros quadrados em um edifício que remonta ao século XVIII, na Rua do Ouvidor, o museu se localiza em um ponto histórico da cidade, entre o Arco do Teles e a Praça Quinze. A edificação, com três andares, 13 portas e 26 janelas, possui uma fachada encantadora, com varandinhas que provavelmente encantaram passantes ao longo dos anos.
A construção original data de 1721, mas o prédio atual foi erguido em 1906, após um bombardeio na cidade durante a Revolta da Armada. O local ainda guarda marcas dessa história, como a bala de canhão que atingiu a vizinha Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, exposta até hoje.
Com a proposta de conectar a população à sua história, Carla Teixeira, moradora e idealizadora do projeto, afirma: “O Rio de Janeiro não é só praia, tem muita história. E a gente precisa cuidar disso, trazer essa semente para cá.” A iniciativa busca unir o passado à modernidade, mostrando que o café é mais do que uma bebida: é parte da identidade cultural brasileira.
Uma experiência imersiva
Uma das grandes inovações que o Museu do Café promete oferecer é a interação completa do visitante com a produção do café. Com espaços dedicados à degustação, os visitantes poderão escolher a torra do café que desejam experimentar, proporcionando uma vivência sensorial única. “Na parte de baixo, vamos oferecer essa experiência completa e imersiva”, detalha Carla.
Além da interação física, o museu investirá em tecnologia para atrair um público mais jovem. O local contará com exposições que mostrarão a produção brasileira de café, incluindo itens históricos adquiridos em leilões. Para ampliar essa experiência, o uso de realidade virtual permitirá visitas a fazendas produtoras, ampliando a conexão do visitante com a cultura do café.
A construção do museu já começou e segue uma abordagem cuidadosa, respeitando a importância histórica do prédio. Durante a pandemia, o espaço enfrentou um abandono que quase comprometeu sua integridade, mas agora está sendo restaurado, e detalhes da fachada original já foram recuperados.
Uma gestão focada na acessibilidade
Com gestão privada, o Museu do Café busca democratizar o acesso à cultura. Dos mais de 4.000 museus registrados no Brasil, apenas uma pequena fração é administrada de forma independente. A expectativa é que a maior parte das exposições tenha entrada franca, viabilizada por meio de patrocínios, como a parceria já estabelecida com a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).
“A ideia é garantir que as pessoas possam conhecer a história do café sem barreiras financeiras. Estamos buscando patrocínios para oferecer acesso acesso à cultura”, ressalta Cristiano de Mendonça, parceiro de Carla na empreitada.
O Museu do Café se insere em um contexto mais amplo de revitalização da região central do Rio, que inclui o programa Reviver Centro Cultural. Este projeto visa revitalizar imóveis ociosos e promover ações culturais que resgatem a história e a memória da cidade. Até agora, 83 projetos foram aprovados e 43 contratos assinados, o que evidencia o empenho da prefeitura em transformar a área.
Com o lançamento do Museu do Café, espera-se não apenas a valorização desse importante produto, mas também a promoção de um espaço de convivência e aprendizado, onde a história do Brasil será celebrada e compartilhada com as futuras gerações.

