Política e Segurança em Debate
O clima político no Rio de Janeiro se intensificou após a prisão do vereador Salvino, um aliado do prefeito Eduardo Paes, pela Polícia Civil. Ele é suspeito de negociar com o Comando Vermelho para conseguir apoio em sua campanha nas áreas dominadas pela facção criminosa. A acusação da polícia aponta que, em troca da ajuda nas eleições, Salvino ofereceria benefícios ao grupo, disfarçados como ações em prol da comunidade.
Um dos casos mencionados pela Polícia Civil envolve a escolha de administradores para quiosques na Gardênia Azul, uma comunidade da zona oeste sob a influência do CV. Os investigadores alegaram que as escolhas favoreciam indivíduos ligados à facção, mas até o momento não foram apresentadas provas que impliquem diretamente o vereador no esquema.
Após a prisão, o governador Cláudio Castro e seus aliados, incluindo o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, usaram as redes sociais para atacar Paes, chamando Salvino de “braço direito do Comando Vermelho na prefeitura”. Na coletiva de imprensa de quinta-feira, Paes respondeu às acusações, afirmando que Castro estava tentando explorar politicamente a situação.
“Eu esperei até o fim do dia para me manifestar, aguardando provas. O vídeo do secretário da Polícia Civil era bastante contundente sobre a ligação do vereador com Doca [um dos chefes do CV]. E até agora não vi as provas”, declarou Paes, demonstrando indignação. “Se a sociedade aceitar que esse caso não recebe uma resposta adequada, estamos regredindo a passos largos para a barbárie. É como se voltássemos à Idade Média, onde os mais vulneráveis seriam encarcerados e os adversários políticos, eliminados”, afirmou.
O prefeito anunciou que o PSD, seu partido, entrará com uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra Castro por abuso de poder político. O deputado federal Pedro Paulo, presidente do partido no Rio e braço direito de Paes, também revelou que agendou reuniões com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para discutir o caso.
“Vamos exigir, com toda a força política do meu partido, uma apuração rigorosa dos fatos. Iremos às diversas instâncias, incluindo o Superior Tribunal de Justiça, considerando o foro privilegiado do governador Cláudio Castro, até que ele seja cassado”, disse Paes, referindo-se ao julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode resultar na cassação do governador.
Ele também fez um apelo para que o processo avance rapidamente, mencionando a possibilidade de Castro renunciar para evitar uma condenação no TSE. “Deixa de ser fujão. Enfrente, venha para a briga, para o debate político. Chega de ser frouxo, como vimos na segurança pública do Rio de Janeiro nos últimos anos”, concluiu Paes, levantando questões sobre a resposta do governo em relação à segurança pública no estado.

