Uma Abordagem Controversial nas Relações Internacionais
A política externa do ex-presidente Donald Trump é marcada por uma combinação desastrosa de isolacionismo e intervencionismo. Iniciando sua administração com a doutrina “América Primeiro”, Trump propôs um foco intenso nas questões internas dos Estados Unidos, prometendo evitar guerras no exterior. Contudo, sua retórica logo se transformou em uma série de insultos a aliados europeus, enquanto ameaçava a estabilidade da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), essencial para a política externa americana desde o término da Segunda Guerra Mundial.
Com a OTAN servindo de barreira contra a agressão russa desde o fim da Guerra Fria, a invasão da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin evidenciou que a ambição imperial russa ainda estava viva. Diferentemente dos republicanos tradicionais, que teriam se alarmado com tal movimento, Trump demonstrou indiferença. Além disso, sua frustração com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que não o apoiou na disputa eleitoral contra Joe Biden, ilustra um governo que prioriza interesses pessoais sobre questões geopolíticas.
Desaparecimento da Retórica Democrática
Durante a era pós-guerra, Estados Unidos e Europa se apresentaram como defensores da democracia e dos direitos humanos, embora frequentemente suas ações não correspondessem às promessas. Sob a administração Trump, essa retórica se desfez completamente; o governo não apenas ignorou, mas também agiu contra princípios democráticos fundamentais. Temas como direitos humanos e apoio a refugiados tornaram-se alheios à política externa americana.
A política de “América Primeiro” também impactou negativamente a ordem econômica global. A crença de Trump de que o livre comércio era prejudicial ilude-se ao considerar os benefícios que trouxe. Embora tenha melhorado a vida de muitos, a derrubada das estruturas de suporte social desprotegidas deixou agricultores e trabalhadores vulneráveis, levando a um aumento do ressentimento em várias comunidades.
Consequências Econômicas e Sociais
Os economistas falharam em prever o impacto social das suas políticas, e o resultado foi uma percepção de traição entre os trabalhadores americanos afetados. Em resposta à insatisfação, Trump tomou medidas drásticas contra a imigração e os acordos comerciais, adotando tarifas que, longe de proteger os trabalhadores, contribuíram para a instabilidade econômica. O desmantelamento de cadeias de suprimento e a imposição de tarifas provocaram um aumento nos custos de produção, colocando pequenas empresas em uma posição precária.
A corrupção nas relações econômicas permitiu que aliados políticos obtivessem isenções, enquanto os consumidores arcavam com os custos. O resultado? Um mundo onde a segurança diminui e a desigualdade cresce, beneficiando apenas uma pequena elite.
Intervencionismo Controverso
Contrariando sua imagem inicial de aversão a intervenções militares, Trump atuou com força no caso da Venezuela, sequestrando o presidente Nicolás Maduro. O que deveria ser uma operação militar precisa levanta dúvidas sobre as consequências futuras. Trump declarou que “nós estamos no comando” da situação, sugerindo um controle que pode não ser viável diante da resistência do governo venezuelano.
Além disso, a obsessão de Trump pelo petróleo venezuelano revela um interesse mais estratégico do que moral. Apesar de suas promessas, o petróleo da Venezuela pode não ser um investimento lucrativo, dado o seu perfil de refino e a instabilidade política. Essa guerra, considerada ilegal e imoral, coloca tanto a Venezuela quanto os Estados Unidos em risco, permitindo que adversários, como Putin e Xi Jinping, avancem em suas agendas.
Um Chamado à Paz e à Justiça
O Papa Leão XIV, por sua vez, defende uma abordagem baseada na verdade e na justiça nas relações internacionais, enfatizando que o bem-estar do povo venezuelano deve ser prioritário. Em sua oração semanal, ele pediu aos líderes mundiais que respeitassem os direitos humanos e trabalhassem por um futuro pacífico.
A história recente está repleta de ações erradas, como os conflitos no Vietnã, Iraque e Afeganistão, e a pergunta que paira no ar é: será a Venezuela o próximo erro? O cenário atual clama por uma reavaliação das políticas exteriores que, ao invés de promover a paz e a justiça, perpetuam ciclos de violência e desestabilização.

