A Popularidade do Esporte no Brasil
O Brasil é um país com uma rica diversidade esportiva, que vai do boxe à ginástica, passando pelo tênis e skate. Contudo, a questão que persiste é: por que algumas modalidades se tornam fenômenos de popularidade enquanto outras lutam para conseguir reconhecimento? O tiro com arco, por exemplo, é uma prática milenar que hoje acontece em arenas tranquilas, onde a precisão e a concentração fazem toda a diferença. A 70 metros do alvo, cada flecha lançada exige uma combinação de técnica e foco, fatores que podem ser afetados por condições climáticas, como vento e chuvas. Apesar de sua presença nas Olimpíadas desde 1972, o tiro com arco ainda não conquistou o espaço que merece no cenário esportivo brasileiro. Essa realidade levanta uma questão fundamental: o que leva um esporte a se destacar e atrair novos praticantes, enquanto outros são relegados ao esquecimento?
Historicamente, diversos esportes no Brasil tiveram picos de popularidade. O boxe, por exemplo, dominou a cena nos anos 60, enquanto a Fórmula 1 fez sucesso nos anos 90, e o tênis teve seu auge na virada do milênio. Cada um desses esportes contou com ídolos carismáticos e forte repercussão na mídia, porém nem todos conseguiram manter a atenção do público a longo prazo.
Dados do levantamento Pesquisas do Ano 2024, do Google, mostram que as Olimpíadas lideraram as buscas no Brasil, o que pode alavancar a visibilidade de certos atletas, mas não necessariamente garante a continuidade do interesse nas modalidades. A ginástica artística, por exemplo, foi o assunto mais pesquisado do ano, impulsionada pela trajetória de Rebeca Andrade, que se destacou até mesmo em comparação com figuras políticas e culturais.
Estrutura e Oportunidades no Esporte
Para Graziela Yaci, atleta de tiro com arco, a popularização de um esporte depende de fatores estruturais. Em suas palavras: “Precisamos de melhores condições e políticas públicas para formar novos atletas”. Sua trajetória começou em uma aldeia no Amazonas, onde a falta de infraestrutura quase a impediu de seguir seus sonhos. Foi através de um projeto local que ela encontrou oportunidades e se tornou a primeira mulher indígena a representar o Brasil na modalidade em competições internacionais.
Além dela, Gabriel Geraldo dos Santos Araújo, conhecido como Gabrielzinho, também destaca a importância da visibilidade para o crescimento do esporte paralímpico. Com suas conquistas na natação, ele se tornou uma referência para jovens que sonham em praticar esportes. Gabrielzinho acredita que a cobertura midiática é essencial para legitimar a natação paralímpica como uma profissão, ajudando a aumentar o reconhecimento em todo o país.
A Monocultura do Futebol e o Camuflado Potencial de Outros Esportes
Segundo Celso Unzelte, jornalista e professor, a relação do brasileiro com o esporte é marcada por contradições. “O público não gosta de esporte, gosta de vencer”. Essa afirmação pode explicar por que esportes como a Fórmula 1 e o tênis prosperam em determinados períodos, enquanto outros, mesmo com atletas talentosos, permanecem ignorados. A “monocultura futebolística” no Brasil muitas vezes ofusca outras modalidades, tornando difícil para elas conquistarem espaço.
Os dados do Google Trends entre 2020 e 2025 demonstram essa desigualdade. O termo “futebol” continua a ser o mais buscado, com picos de interesse durante eventos importantes, enquanto a maioria das outras modalidades depende do calendário olímpico para atrair atenção. O skate e o surfe, por exemplo, também tiveram seus altos e baixos, mas em geral, a visibilidade dessas práticas permanece restrita.
Desigualdades e Futuro do Esporte no Brasil
As desigualdades notadas no campo esportivo também são evidentes quando se considera a representação de mulheres e pessoas com deficiência. Apesar do Brasil ter alcançado um desempenho histórico nas últimas Paralímpíadas, atletas como Bruna Alexandre, do tênis de mesa, ainda relatam um tratamento desigual em relação a modalidades olímpicas. A falta de cobertura midiática e reconhecimento social dificulta a ascensão das modalidades paralímpicas.
Aline Silva, uma das mais renomadas atletas de wrestling do Brasil, ressalta a necessidade de diversificação nas opções esportivas oferecidas nas escolas. Para ela, ter acesso a esportes variados é essencial para que jovens talentos possam se descobrir e, possivelmente, alcançar o alto rendimento.
Por fim, o pesquisador Odilon José Roble enfatiza que o esporte brasileiro reflete as desigualdades sociais e que a falta de políticas que unam esporte e educação pode comprometer o futuro de muitos atletas. Ele defende a necessidade de um modelo que favoreça a educação e o desenvolvimento de carreiras duplas, onde o desempenho escolar seja tão valorizado quanto o desempenho esportivo.
Portanto, ao olharmos para o futuro, é fundamental reconhecer que iniciativas de base e projetos sociais podem transformar a trajetória de jovens atletas, contribuindo para a formação de cidadãos e reduzindo as desigualdades no acesso ao esporte.

