Cúpula do PT Atinge Flávio Bolsonaro
BRASÍLIA – A alta cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu adotar uma postura de enfrentamento direto com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante uma reunião nesta segunda-feira, 16, a Executiva Nacional do partido aprovou uma resolução política que classifica Flávio como um parlamentar “marcado por denúncias e investigações”, especialmente relacionadas ao escândalo da “rachadinha”. Além disso, o documento relaciona as irregularidades do Banco Master à administração do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A iniciativa surge após pesquisas de opinião que mostram Flávio tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno nas eleições presidenciais. “A candidatura de Flávio Bolsonaro representa a continuidade do mesmo projeto autoritário e antipopular que o Brasil derrotou nas urnas”, afirma o texto, ressaltando as acusações de “rachadinha”, movimentações financeiras suspeitas e um histórico de enriquecimento que não se alinha com a vida pública. A resolução também critica a ausência de projetos relevantes apresentados por Flávio ao longo de sua carreira.
Escândalos Sob Investigação
O escândalo das rachadinhas, revelado anteriormente pelo Estadão, foi objeto de investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro. Este esquema era caracterizado pela apropriação indevida de parte dos salários dos funcionários do gabinete de Flávio enquanto ele era deputado estadual. O senador, por sua vez, sempre se defendeu negando as acusações.
A situação atual foi classificada como “tragédia” por membros do PT, que consideram que o governo Lula tem falhado em apresentar uma agenda positiva e em reagir adequadamente à crescente insatisfação popular. Em meio a novos escândalos de corrupção, tanto no INSS quanto no Banco Master, a resolução do PT também atribui a responsabilidade sobre a fraude na instituição ao bolsonarismo.
Críticas ao Modelo de Gestão
No documento, o PT afirma: “O escândalo do Banco Master reflete esse modelo. O banco foi fundado e funcionou livremente durante o governo Bolsonaro, acumulando indícios de gestão fraudulenta e corrupção”. O texto questiona por que, durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, não foram tomadas as medidas necessárias para proteger o sistema financeiro. Ao mesmo tempo, o governo Lula e o PT buscam rotular o escândalo como “Bolsomaster”, lembrando que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi um dos maiores doadores da campanha de Bolsonaro e também de Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, em 2022.
Relações Promíscuas e Combate à Corrupção
A resolução ainda menciona um “sistema de relações promíscuas entre operadores políticos e setores do Estado, que prioriza privilégios em detrimento do interesse nacional”. No entanto, não aborda suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, em negócios com o empresário Careca do INSS. Além disso, o documento ignora denúncias sobre ligações de petistas na Bahia com o banco durante o governo de Rui Costa, atual ministro da Casa Civil. Um dos trechos destaca que, ao contrário do que ocorria na gestão anterior, o governo Lula oferece plena autonomia às instituições de controle para combater a corrupção.
Proximidade com o Eleitorado Feminino
Em outra frente, a liderança do PT está buscando estreitar laços com o eleitorado feminino, especialmente após pesquisas que indicam uma queda no apoio a Lula entre as mulheres. O texto aprovado ressalta que o governo Bolsonaro extinguiu o Ministério das Mulheres e promoveu discursos machistas. “Não podemos esquecer que Jair Bolsonaro se referiu a ter uma filha mulher como uma ‘fraquejada’, demonstrando uma visão desrespeitosa e patriarcal que esse campo político perpetua”, conclui a resolução.

