Dois novos assentamentos fortalecem a reforma agrária no RJ
O avanço da reforma agrária no estado do Rio de Janeiro ganhou um capítulo importante na última quinta-feira (13), quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) celebrou a criação do Assentamento 15 de Abril e do Assentamento Terra Abençoada, ambos localizados em Campos dos Goytacazes. Cerca de 600 pessoas participaram do ato oficial de lançamento, que contou com a presença da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli.
O evento reuniu famílias que serão beneficiadas com a imissão de posse, termo usado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para formalizar a destinação da terra aos trabalhadores, garantindo o cumprimento da função social da propriedade. Militantes do MST, organizações parceiras e autoridades também marcaram presença, reforçando a importância dessa conquista para a luta histórica pela terra na região.
Impacto econômico e social para o Norte Fluminense
“Esse é um dia importante porque marca o fim de mais um latifúndio nesse estado. É um dia que nós, Sem Terra, podemos bater no peito e dizer que essa terra é nossa”, declarou Cristiano Meireles, da direção estadual do MST, destacando o significado dessa vitória para os trabalhadores rurais na região Norte Fluminense, conhecida por seus conflitos agrários e episódios de violência no passado.
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Vitor Tinoco, superintendente do MDA no Rio de Janeiro, reforçou o avanço da reforma agrária como uma resposta concreta às demandas locais: “Dia histórico para a reforma agrária no estado do Rio. A região Norte é uma região histórica dos conflitos de terra. Avançamos no crédito, agora avançamos na reforma agrária. É mais gente produzindo alimentos saudáveis, mais gente acessando a terra, melhoria de vida, dignidade”.
Procedimento inovador e participação institucional
Os assentamentos foram criados por meio de adjudicação de terra de grandes devedores, uma modalidade instituída pelo presidente Lula (PT) em 2024 para acelerar a distribuição de terras. A presença do presidente do Incra, Cesar Aldrighi, e da superintendente Maria Lucia de Pontes, entre outras autoridades, reforçou o compromisso do governo com a reforma agrária e o fortalecimento da agricultura familiar.
Também participaram representantes do MST (PT), como a vereadora Maíra, e lideranças locais, incluindo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campos dos Goytacazes, Paulo Honorato. A participação da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares (Fetagri) foi fundamental para a organização dos acampados da Terra Abençoada.
Transformação social e econômica para as famílias assentadas
O MST no Rio de Janeiro destacou em nota que a concretização do Assentamento 15 de Abril é fruto de anos de luta e articulação entre movimentos populares, instituições públicas e diferentes setores da sociedade. A entrega da posse oferece às famílias mais segurança e perspectivas para desenvolver a produção de alimentos saudáveis, moradia digna e geração de renda.
Essa conquista representa um passo decisivo para construir um campo pautado pela justiça social e soberania alimentar. Segundo o movimento, a terra conquistada se transforma em espaço de produção agrícola, preservação ambiental, educação e fortalecimento da agricultura familiar, ampliando o impacto econômico na região.

