Datas Definidas para Renúncia e Desafios Políticos
No cenário político do Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL) informou a seus aliados que deixará o cargo no final de março, a fim de se candidatar ao Senado. Sua saída está prevista para o início de abril, respeitando o limite legal para a desincompatibilização. Por sua vez, o prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes (PSD), já comunicou que pretenderá renunciar ao cargo um pouco antes, por volta do dia 20 de março. O objetivo é aproveitar alguns dias de descanso antes de se dedicar integralmente à sua campanha para governador, que tem início previsto para abril.
Ambos os líderes enfrentam desafios distintos. Castro busca consolidar sua base partidária para que Nicola Miccione, atual secretário da Casa Civil, possa assumir como governador em um mandato-tampão. Assim que Castro deixar o cargo, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) terá um prazo de 30 dias para realizar uma eleição indireta que determinará o novo governante.
No caso de Eduardo Paes, ele entregará a prefeitura ao seu vice, Eduardo Cavalieri. A transição, que Paes negou durante a sua campanha para as eleições municipais de 2024, é vista como um passo natural, visto o interesse do prefeito em concorrer ao governo do estado. O desejo de Paes em se lançar na disputa tornou-se evidente ao longo de sua gestão, apesar de não ser oficialmente admitido por ele ou por membros do PSD.
Antes de se afastar, o prefeito planeja lançar a primeira tropa armada da Guarda Municipal, como parte de uma estratégia para um “último ato de governo” após o carnaval. Essa medida é vista como uma jogada ousada para fortalecer sua imagem política e deixar um legado significativo.
A escolha de um novo vice-prefeito também está em andamento. O nome mais comentado até o momento é o de Rogério Lisboa, ex-prefeito de Nova Iguaçu, atualmente filiado ao PP, que está federado ao União Brasil, a base de apoio do governador Cláudio Castro. Caso Lisboa seja confirmado como vice, enfrentará a necessidade de alterar sua afiliação partidária, o que pode gerar novas movimentações políticas.
Cabe ressaltar que, enquanto as articulações políticas se intensificam, a direita apresenta resistência à escolha feita por Castro para o governo interino, defendendo Felipe Curi como uma alternativa viável. Esse cenário evidencia as tensões e as disputas internas dentro do campo político fluminense.
A Alerj, por sua vez, já inicia discussões sobre o modelo das eleições indiretas que ocorrerão para o mandato-tampão de governador. O ambiente político no Rio de Janeiro está, portanto, em ebulição, com articulações que podem definir o futuro dos dois políticos e o cenário eleitoral de 2026.

