Transformação Cultural e Reconhecimento Histórico
Na última terça-feira (16), o governo federal promoveu uma cerimônia significativa para a assinatura do termo que visa a restauração e requalificação do Armazém das Docas André Rebouças, localizado em frente ao Cais do Valongo, no coração da Pequena África, no centro do Rio de Janeiro. Esse espaço, que leva o nome do engenheiro negro e abolicionista André Rebouças, foi projetado por ele e reconhecido por seu valor histórico.
Com um investimento robusto de R$ 86,2 milhões oriundos do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), o armazém passará por transformações que o tornarão um dos principais centros da América Latina dedicados à memória e à cultura da população negra. O novo espaço também abrigará o Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial do Cais do Valongo, que concentrará diversas iniciativas voltadas para a valorização da cultura afro-brasileira e a preservação de sua história.
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O Termo de Execução Descentralizada foi firmado entre diversas instituições, incluindo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Fundação Cultural Palmares (FCP), o Ministério da Cultura (MinC) e o FDD, que é vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
A cerimônia contou com a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do presidente do Iphan, Leandro Grass, do presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, e do diretor de Projetos do FDD, Tiago Nicácio. Também estiveram presentes representantes de instituições da Pequena África e membros do Comitê Gestor do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo.
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Fonte: acreverdade.com.br
Vale destacar que, em setembro deste ano, o edifício foi oficialmente renomeado como Armazém André Rebouças, uma homenagem ao engenheiro responsável pelo projeto original. Durante a cerimônia, Margareth Menezes ressaltou a importância histórica do local, que é considerado um marco da engenharia nacional e um símbolo da resistência negra no século 19.
“Cada vez que visito esse lugar, sou tomada pela grandiosidade dessa obra, que foi realizada há tempos e sem a utilização de mão de obra escravizada, representando um pioneirismo no enfrentamento ao racismo. Isso serve para nos lembrar que a luta contra o racismo é um esforço contínuo, que deve ser cultivado diariamente”, declarou a ministra em nota à imprensa.
João Jorge Rodrigues, presidente da Fundação Cultural Palmares, enfatizou que o projeto de restauração é vital para o reconhecimento da herança africana e do território da Pequena África. “As ideias de André Rebouças são imortais. Embora homens e mulheres falhem, suas ideias continuam a nos inspirar, e essa iniciativa representa uma grande reparação ao legado dos africanos que chegaram ao Rio de Janeiro”, afirmou.
A cerimônia de assinatura foi encerrada de forma festiva, com um cortejo conduzido pelo Afoxé Filhos de Gandhi. A expectativa é que o espaço seja aberto ao público em até 36 meses após o início das obras, cuja previsão é que tenham início até o final do segundo semestre de 2026.

