Mudanças nos Royalties: Impacto na Sustentabilidade Financeira do Rio
A proposta de alteração nas normas de distribuição dos royalties do petróleo levanta sérias preocupações sobre a sustentabilidade financeira do Estado do Rio de Janeiro e de seus 92 municípios. A situação é alarmante para cidades cuja economia depende fortemente desse setor, como Maricá, Niterói, Saquarema, Campos dos Goytacazes, Macaé, Arraial do Cabo, Araruama, Cabo Frio, Rio de Janeiro, São João da Barra, Angra dos Reis, Casimiro de Abreu e Paraty. Nessas localidades, o equilíbrio fiscal é intimamente ligado aos repasses e à cadeia de investimentos proporcionada pela exploração de petróleo e gás.
O julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 4917 e 4918, marcado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para o dia 6 de maio de 2026, poderá trazer incertezas significativas para a economia fluminense. Uma decisão desfavorável em relação a essas ADIs poderá fragilizar as bases produtivas da região e provocar alterações drásticas no fluxo de recursos, impactando seriamente o custeio de despesas essenciais e a capacidade de investimento dos municípios mencionados.
A Importância dos Royalties para o Estado
É importante esclarecer que os royalties não são destinados ao pagamento da dívida pública; na verdade, uma parte significativa desses recursos financia a previdência de milhares de servidores estaduais. Esses valores são cruciais para assegurar o pagamento de pensões e aposentadorias, desempenhando um papel fundamental na qualidade de vida e no bem-estar social da população fluminense.
Embora a Lei Federal 12.734/2012 tenha sido criada com a justificativa de promover uma equidade fiscal entre os estados produtores e não produtores, na prática, essa legislação rompe o pacto firmado na Constituição de 1988. Naquela época, os estados produtores renunciaram à cobrança do ICMS sobre o petróleo na origem em troca de sua participação nos royalties. A desestabilização desse acordo gera um ambiente jurídico e econômico instável que pode desencorajar novos investimentos na cadeia petrolífera.
O Papel do STF e os Desafios Futuros
O STF, neste contexto, assume um papel crucial no desenvolvimento regional do Brasil. Se a distribuição da lei de 2012 for mantida, os estados produtores poderão enfrentar perdas significativas em suas receitas. Por outro lado, a continuidade do modelo estabelecido em 1988 reafirma o equilíbrio federativo e respeita os compromissos tributários assumidos pelos estados produtores ao longo das décadas.
Defendemos que o Rio de Janeiro deve intensificar seus esforços para convencer o STF sobre os direitos garantidos na Constituição. O enfraquecimento das regiões produtoras, sob a justificativa de fortalecer outras áreas, pode levar a um crescimento econômico desordenado, à saída de investidores estratégicos e à deterioração do ambiente de negócios, resultando em uma redução do ganho social para todo o país.
Aldo Gonçalves, presidente do CDLRio e do SindilojasRio, alerta para a urgência dessa mobilização e a importância de manter a estabilidade financeira do estado diante de possíveis mudanças que podem afetar toda a população.

