Condenação e Detenção de Silvinei Vasques
O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi preso no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador, segundo informações do diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. A detenção ocorreu na madrugada no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção. Silvinei foi condenado a 24 anos e 6 meses de prisão por crimes relacionados a uma organização criminosa, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 16 de dezembro.
A Primeira Turma do STF concluiu que o ex-diretor da PRF participou ativamente de ações para monitorar autoridades e dificultar o voto de eleitores, especialmente no Nordeste, durante o segundo turno das eleições. Essa condenação fez parte de um julgamento mais amplo que abrangeu outros membros do núcleo 2 da organização criminosa.
Fuga e Prisão no Paraguai
Antes de sua detenção, Silvinei havia rompido sua tornozeleira eletrônica em Santa Catarina e, sem autorização judicial, deixou o Brasil rumo ao Paraguai. Alarmes foram acionados nas fronteiras assim que o rompimento foi identificado. No momento da abordagem no aeroporto, ele utilizava um passaporte paraguaio, embora esse documento não correspondesse à sua verdadeira identidade.
Após sua prisão, Silvinei foi levado às autoridades paraguaias, onde deverá passar por uma audiência de custódia. Posteriormente, ele deverá ser enviado de volta ao Brasil para cumprir a pena imposta pelo STF.
Participação em Crimes e Penas Aplicadas
O relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, votou pela condenação de Silvinei e outros três réus por diversos crimes, incluindo golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e organização criminosa. As penas estabelecidas foram significativas, refletindo a gravidade dos atos:
- Silvinei Vasques: 24 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado, além de 120 dias-multa.
- Marcelo Câmara: 21 anos de prisão, em regime inicial fechado, e 120 dias-multa.
- Filipe Martins: 21 anos de prisão, em regime inicial fechado, e 120 dias-multa.
- General Mario Fernandes: 26 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado, e 120 dias-multa.
Além dessas condenações, foi decidido que Marília Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, também seria penalizada por organização criminosa e tentativa de subversão do Estado Democrático, recebendo uma pena de 8 anos e 6 meses de prisão.
Consequências e Indenizações
Os condenados não apenas enfrentaram longas penas de prisão, mas também foram responsabilizados por danos coletivos, devendo pagar solidariamente uma indenização de R$ 30 milhões. Além disso, foram tornados inelegíveis e perderam seus cargos públicos. A comunicação foi feita ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que as devidas ações fossem tomadas. No caso de Mario Fernandes e Marcelo Câmara, o procedimento de declaração de indignidade para o oficialato foi iniciado.
Outras Conspirações e Condenações
É importante ressaltar que essa não é a primeira vez que Silvinei se vê em problemas com a justiça. Antes da condenação pelo STF, ele já havia sido punido na Justiça Federal do Rio de Janeiro por uso indevido da estrutura da PRF durante a campanha de 2022, promovendo a candidatura de Jair Bolsonaro. Essa condenação resultou em uma multa superior a R$ 500 mil e outras sanções cíveis.
Silvinei chegou a ser encarcerado em 2023, mas foi solto posteriormente mediante medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. Em um ato de renúncia, no mesmo dia em que o STF finalizou o julgamento, ele pediu exoneração do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de São José, em Santa Catarina.

