Viagens ao Tayayá e Relações Empresariais
Documentos oficiais revelaram que Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), fez pelo menos três deslocamentos de Brasília ao resort Tayayá, no Paraná, utilizando aviões de empresários. Esses voos ocorreram após a venda do empreendimento em 2025, sendo um deles operado pela Prime Aviation, empresa vinculada a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
As evidências das viagens de Toffoli emergiram do cruzamento de dados dos passageiros que utilizaram o terminal de aviação executiva de Brasília com informações sobre servidores que prestam apoio aos ministros do STF. Em 27 de fevereiro, por exemplo, Toffoli chegou ao terminal às 9h40. Uma aeronave da empresa de Pastore decolou para Ourinhos (SP) às 10h25, cidade mais próxima do Tayayá.
Curiosamente, na véspera de seu voo, três servidores do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (TRT-2) foram enviados para apoiar o ministro em segurança e transporte. A reportagem não conseguiu localizar Pastore para comentar sobre o uso de sua aeronave.
O avião, que foi comprado em junho de 2025, passou a pertencer a Alberto de Faria Jerônimo Leite, empresário próximo a Toffoli. Este adquiriu 15% de participação no Tayayá e, conforme afirma, se desfez do resort em julho do mesmo ano, após receber uma proposta superior ao que pagou anteriormente. O valor exato da negociação não foi divulgado.
Leite, por sua vez, transferiu sua participação no resort para Paulo Humberto Barbosa. Antes dessa venda, Barbosa já havia adquirido a parte do Tayayá que pertencia à empresa familiar de Toffoli, conhecida como Maridt. A formalização dessa transação ocorreu em 21 de fevereiro, mas os números envolvidos permaneceram em sigilo.
Além disso, conforme reportado pelo Estadão, Barbosa recebeu um aporte de R$ 25,9 milhões da J&F próximo à data da compra, embora ambos tenham afirmado que o pagamento não está relacionado ao resort.
Outros Ministros em Aeroportos Privados
Documentos indicam que houve um segundo voo da Prime para Marília às 11h15 do dia 21 de março, realizado 45 minutos após a entrada de Toffoli no aeroporto. O TRT-2 confirmou que apenas disponibilizou equipe de apoio para atuação em Marília no período.
Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi sócio da Prime até setembro de 2025, quando sua instituição passou a ser investigada. Sua participação foi vendida a um fundo gerido pela Trustee, que também é ligada ao Master, conforme apurações da Polícia Federal.
Adicionalmente, registros documentais mostram que Dias Toffoli utilizou o terminal de aviação de Brasília pelo menos 13 vezes em 2025. Essas anotações apresentam variações na grafia do nome do ministro, bem como do documento que ele apresentou ao acessar o local.
Toffoli tornou-se sócio do Tayayá em 2021 por meio de uma empresa familiar, que foi transformada em sociedade anônima, com seus irmãos figurando como proprietários. Nesse contexto, o ministro vendeu parte de sua participação ao fundo de investimentos Arleen, vinculado a Daniel Vorcaro, que tem um histórico de relações próximas com pessoas já detidas.
Viagens de Outros Ministros
Vale destacar que Toffoli não é o único ministro a ter utilizado aviões da Prime. Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques, seus colegas no STF, também utilizaram esses serviços. Moraes e sua esposa realizaram pelo menos oito voos entre maio e outubro de 2025. Em uma das ocasiões, Moraes viajou de Brasília para São Paulo em agosto de 2025, e no dia seguinte teve um encontro com um banqueiro, conforme mensagens trocadas com sua então namorada.
No dia 7 de agosto, Moraes embarcou do terminal de Brasília, e um voo da Prime partiu para Congonhas. A reunião subsequente com Daniel Vorcaro foi documentada em conversas obtidas pela CPI do INSS, indicando uma proximidade entre os envolvidos.
Kassio Nunes Marques também utilizou um avião da Prime para viajar de Brasília a Maceió, onde participou de uma festa de aniversário. Ele confirmou a viagem, destacando que a advogada responsável pelos custos era amiga da sua esposa, e que o deslocamento foi feito a convite dela.
Esses desdobramentos levantam questões sobre a relação entre os ministros do STF e os empresários envolvidos, evidenciando a necessidade de maior transparência nas atividades e deslocamentos dos magistrados.

