O Papel do turismo nas eleições Brasileiras
Com a proximidade das eleições gerais no Brasil, que incluirão a escolha de presidente, governadores e representantes no Legislativo, o turismo e viagens continuam a ser temas periféricos nos debates políticos. Essa marginalização não se deve à falta de relevância ou impacto econômico, mas sim à ausência de uma organização adequada e a um erro frequentemente cometido: o turismo é tratado como uma consequência, quando deveria ser uma estratégia claramente definida e assumida.
É imprescindível que o desenvolvimento do turismo no Brasil não seja uma questão implícita, mas sim explícita e bem documentada. O turismo deve ser reconhecido como uma plataforma de desenvolvimento econômico que pode ser medida e avaliada. A economia gerada por visitantes impacta diretamente setores como hotéis, restaurantes e transporte, além de trazer benefícios indiretos para áreas como construção civil, comércio e saúde, promovendo eventos e congressos. Essa dinâmica cria uma renda induzida que dinamiza cadeias produtivas inteiras, desde a produção local até a indústria. Não é à toa que o turismo se destaca como um dos maiores mercados consumidores de automóveis no Brasil, impulsionado pela atuação robusta das locadoras.
A Escala do Turismo no Brasil
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O Brasil já possui uma escala significativa no turismo, com aproximadamente 100 milhões de viagens realizadas anualmente, mais de 9 milhões de visitantes internacionais e uma ampla distribuição de empregos por todo o país. Entretanto, o setor cresce abaixo do seu potencial, não por falta de recursos ou atrativos, mas devido à carência de uma estratégia sólida e uma organização política que a sustente.
No cenário nacional, a agenda para o turismo é bem conhecida, mas frequentemente adiada. Questões como conectividade aérea regional, acesso rodoviário eficiente, melhoria da infraestrutura de parques naturais, acesso a crédito, simplificação da regulamentação e segurança jurídica são fundamentais para converter o fluxo de turistas em renda efetiva.
Avanços Regionais e Modelos de Sucesso
Nos estados, o progresso pode ser mais ágil. São Paulo, desde o governo de Mário Covas, implementou um modelo contínuo de financiamento ao turismo, com orçamento regular e linhas de crédito disponibilizadas pela Desenvolve SP. No Rio de Janeiro, incentivos urbanísticos direcionaram investimentos para o setor, demonstrando que políticas explícitas podem trazer resultados significativos.
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Santa Catarina já está colhendo os frutos desse enfoque. De acordo com a Oxford Economics, o turismo representa cerca de 12% do PIB estadual, com um impacto considerável na construção civil. No entanto, o estado pode avançar ainda mais. É necessária uma estratégia clara que inclua crédito, orçamento e prioridades bem definidas, como conectividade aérea, melhoria de acessos rodoviários como a BR-101, consolidação de parques naturais, desenvolvimento de marinas e promoção contínua do turismo.
A Importância de políticas públicas no Turismo
A experiência do Programa Emergencial de Retomada do Setor (PERSE) demonstrou algo essencial: mesmo como uma resposta à crise, ao reduzir a carga tributária, o programa permitiu que empresas se capitalizassem e investissem. Isso mostra que, quando existem políticas públicas em vigor, o setor de turismo responde positivamente. Contudo, é preciso transformar essa resposta em uma estratégia permanente e não apenas reativa.
O Brasil precisa de uma união nacional do turismo, enquanto Santa Catarina deve buscar uma união estadual. Essa união não deve ser meramente formal, mas sim um verdadeiro compromisso em torno de uma agenda comum, que incorpore cobrança e responsabilidade.
O Compromisso Público e seu Reflexo no Desenvolvimento
A democracia é fundamentada na promessa de cumprimento das agendas apresentadas durante as campanhas. O que não é afirmado durante as eleições não é cobrado posteriormente, e o que não é cobrado não se torna uma prioridade. Portanto, sem um compromisso público, não há política, e sem política, o desenvolvimento fica comprometido.
O turismo já representa uma contribuição significativa para o Brasil e para Santa Catarina. Entretanto, há um potencial ainda maior a ser explorado, desde que o setor deixe de ser tratado de forma implícita e se torne uma escolha explícita nos debates e políticas públicas.

