O Brasil lidera o turismo internacional
O ex-Ministro do Turismo, Celso Sabino, expressou a opinião otimista sobre o futuro do setor no Brasil, alinhando-se às conclusões do World Tourism Barometer, um relatório da ONU que confirma o País como líder no crescimento de viagens internacionais. Entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil registrou um impressionante aumento de 45% na chegada de turistas estrangeiros, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho coloca o Brasil à frente de nações tradicionais como Vietnã e Egito, que crescem 21%, e superando ainda países como Etiópia e Japão, com 18%. Essa tendência se reflete na recuperação global das viagens, onde mais de 1,1 bilhão de turistas viajaram pelo mundo nos primeiros nove meses do ano, um incremento de aproximadamente 32 milhões em relação a 2024.
Além do aumento no fluxo de turistas, o impacto econômico é igualmente significativo. De acordo com a ONU Turismo, as receitas provenientes de turistas internacionais no Brasil cresceram 12% nesse mesmo intervalo. Dados do Banco Central mostram que os visitantes estrangeiros gastaram cerca de US$ 6,617 bilhões apenas nos primeiros dez meses de 2025, representando um aumento superior a 10% na comparação com o ano anterior. Esse montante, que ultrapassa R$ 35,693 bilhões, injetou recursos vitais na economia brasileira, beneficiando setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio em todas as regiões do País.
A consultora de turismo Santuza Macedo destaca que essa ascensão do setor representa uma mudança na percepção internacional sobre o Brasil. Segundo ela, “o Brasil voltou ao mapa global do turismo, não só como um destino de praia, mas também como um país rico em diversidade natural, cultural e gastronômica, oferecendo experiências únicas ainda pouco exploradas”.
Potencial de Crescimento nas Frentes
Santuza também aponta áreas específicas onde o Brasil pode expandir ainda mais sua oferta turística. Entre as estratégias estão:
- Turismo de interior: Regiões como o Vale do Café (RJ), a Serra da Mantiqueira e o Caminho dos Príncipes (SC) podem ganhar destaque, oferecendo uma mistura de ruralidade, gastronomia e cultura local.
- Turismo náutico e de cruzeiros: A temporada de 2025/2026 projeta mais de 900 mil passageiros, atraindo aqueles que desejam explorar o litoral brasileiro de forma integrada.
- Turismo de experiências: Vivências que incluem a culinária local, agricultura familiar e festivais estão em alta entre os turistas, que buscam se envolver com os destinos visitados.
O Crescimento do Turismo de Negócios
O turismo de negócios tem sido um dos principais responsáveis pelos números recordes que o Brasil vive atualmente no setor. Dados recentes indicam que o faturamento nesse segmento superou R$ 11,6 bilhões de janeiro a outubro de 2025, com expectativas de crescimento contínuo. Em outubro, as receitas do turismo corporativo chegaram a R$ 1,34 bilhão, uma alta de 5,33% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Essa informação é resultado de um levantamento da ABRACORP (Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas), que analisa mensalmente 11 segmentos do mercado.
A importância do turismo de negócios é ressaltada pelo ex-Ministro Sabino, que aponta que esse setor movimenta uma ampla gama de serviços, gerando empregos e estimulando investimentos. As receitas dos hotéis atingiram R$ 785,4 milhões em outubro, enquanto serviços aéreos somaram R$ 423 milhões, representando quase 88% do total do faturamento. O segmento de cruzeiros também se destacou com um aumento impressionante de 535,39% em comparação com outubro de 2024, demonstrando a resiliência do mercado.
Expectativas para a Temporada de Cruzeiros
A temporada de cruzeiros que se inicia no final do ano e vai até abril promete ser um fator chave para atrair turistas internacionais. A CLIA (Cruise Lines International Association Brasil) prevê mais de 674 mil embarques, abrangendo tanto a exploração das belezas nacionais como da América do Sul. No Porto de Santos (SP), estão programadas 133 escalas em 95 dias, com 14 embarcações, entre elas mini cruzeiros de três ou quatro noites e itinerários mais longos de até sete noites.
Com o impacto econômico gerado por cada cruzeirista alcançando R$ 918,15 nas cidades de embarque e R$ 709,47 nos pontos de escala, fica evidente que o turismo envolve uma cadeia significante de serviços e experiências. A Presidente da ABAV Nacional, Ana Carolina Medeiros, enfatiza o papel crucial dos agentes de viagens nesse segmento, afirmando que o cruzeiro marítimo é fundamental para a economia, proporcionando uma rica experiência de viagem e movimentando uma extensa rede de serviços.

