Uma Experiência Única nos Lençóis Maranhenses
Visitar os Lençóis Maranhenses é muito mais do que simplesmente mergulhar em suas lagoas cristalinas. Como destaca a guia Sol Oliveira, as conversas entre os visitantes vão além das belezas naturais e abordam os bastidores da operação do parque nacional. Entre um mergulho e outro, é comum que turistas questionem sobre o funcionamento do local, incluindo a fiscalização das regras de conduta, o controle do fluxo de veículos nas dunas e a remuneração dos guias que tornam a experiência possível.
Essas questões revelam um interesse crescente entre os viajantes brasileiros em como suas atividades turísticas impactam as comunidades locais. De acordo com uma pesquisa realizada pelo site Booking no ano passado, 83% dos turistas expressaram o desejo de que o dinheiro investido nas viagens beneficie as comunidades visitadas. Além disso, 57% afirmaram procurar evitar práticas que prejudiquem a vida selvagem na região.
Esse movimento ocorre em um contexto em que 98% dos turistas planejam viagens mais sustentáveis, um aumento significativo em relação aos 56% que demonstravam essa preocupação há uma década.
Desafios do Crescimento Turístico
Helena Costa, professora da Universidade de Brasília e organizadora do livro “Umatalhi: Cocriando Futuros para o Turismo Responsável no Brasil”, aponta que as inquietações dos turistas muitas vezes surgem quando eles percebem que um destino está deteriorado ou que a realidade local não corresponde à experiência luxuosa que esperavam. A situação é mais complicada em locais como os Lençóis Maranhenses, que receberam mais de 650 mil turistas em 2025, onde a falta de saneamento básico ameaça a pureza das lagoas.
Em destinos turisticamente consolidados, como Rio de Janeiro, Barcelona e João Pessoa, a organização do setor de turismo fica comprometida, gerando crises de aluguéis e dificultando que os moradores se mantenham em suas residências originais. Este é um duro lembrete de que o crescimento do turismo nem sempre resulta em benefícios para a população local.
A Importância do Turismo Responsável
Apesar dos desafios enfrentados, o turismo continua a ser uma experiência valorizada por muitos. Em 2025, o setor aéreo brasileiro registrou o transporte de 101,2 milhões de passageiros. No entanto, a pergunta que fica é: é possível viajar de maneira que minimize os impactos negativos?
Para profissionais alinhados com o conceito de turismo responsável, a resposta é afirmativa. O termo, que surgiu em 2002 durante a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo, difere do conceito de turismo sustentável ao abranger não apenas os impactos ambientais, mas também questões sociais e econômicas dos destinos visitados.
“Ser responsável implica incentivar destinos e profissionais do turismo, como agências e guias, a desenvolver experiências que estejam alinhadas com critérios de ESG (Ambiental, Social e Governança)”, afirma Marianne Costa, fundadora do Grupo Vivejar. “É fundamental que as comunidades locais sejam protagonistas em suas próprias atividades turísticas, e não meramente prestadores de serviços”, completa.
Identificando Práticas de Greenwashing
Contudo, assim como em outros setores, o greenwashing — o marketing enganoso que promove práticas não sustentáveis como se fossem responsáveis — também é uma realidade no turismo. Profissionais da área relatam que algumas agências se apresentam como sustentáveis, mas oferecem remunerações baixas para as comunidades que recebem os turistas, dificultando a escolha dos viajantes por opções realmente responsáveis.
Dicas de Agências que Praticam o Turismo Responsável
Se você está em busca de experiências que realmente valorizem a sustentabilidade e o respeito à cultura local, aqui estão algumas opções de agências e iniciativas que se destacam:
- Mirante do Gavião – Novo Airão/AM: Este ecolodge premiado apoia comunidades ribeirinhas e possui arquitetura sustentável. mirantedogaviao.com.br
- Mova Experiências – São Luís/MA: Promove vivências com quilombolas e conecta viajantes ao cotidiano local. Siga no Instagram: @movaexperiencias.
- Olhos do Mar – Fernando de Noronha/PE: Com passeios e parcerias com nativos, parte dos lucros é revertida para causas socioambientais. Acesse: olhosdomar.com.br.
- Reserva Pataxó Porto do Boi – Caraíva/BA: Oferece experiências em uma aldeia indígena, destacando cultura e tradições pataxó. Instagram: @portodoboi.
- Nas Alturas – Chapada Diamantina/BA: Roteiros personalizados em grupos pequenos, promovendo turismo comunitário. Confira: nasalturas.net.
- Caminho do Recôncavo da Guanabara – Rio de Janeiro/RJ: O projeto Sinal do Vale conecta iniciativas agroecológicas em uma trilha de 110 km. Acesse: sinaldovale.org.
- Ibiti Projeto – Lima Duarte/MG: Focado em hospedagem de baixo impacto com práticas de reflorestamento. Conheça: ibiti.com.
- Raizeira Ecoturismo – Cuiabá/MT: Fundada por mulheres, oferece imersões em comunidades tradicionais. Veja mais: raizeiraecoturismo.com.br.
- Caiman – Miranda/MS: Este ecolodge apoia projetos de conservação de onças e araras. Saiba mais em: caiman.com.br.
- Rota da Liberdade – Taubaté/SP: Oferece roteiros que preservam a cultura negra brasileira. Confira: rotadaliberdade.com.br.
Essas iniciativas mostram que é possível praticar um turismo mais consciente e responsável, respeitando tanto a natureza quanto as comunidades locais.

