Controvérsias em Torno do Carnaval 2026
A recente homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva durante o Carnaval na Sapucaí está gerando controvérsia. A senadora Damares Alves (Republicanos) levantou questões sobre o uso de verba pública destinada à Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Em um documento protocolado no início de fevereiro, a parlamentar criticou a destinação de R$ 12 milhões, oriundos de um termo de cooperação técnica entre a Embratur e a Liesa, para as doze agremiações do Grupo Especial do Carnaval fluminense.
Damares, em suas redes sociais, expressou sua indignação: ‘Representei junto ao Ministério Público Eleitoral sobre essa aberração de usar dinheiro público para homenagear político pré-candidato em ano eleitoral. Relatei que estão usando dinheiro público, inclusive, para difamar Bolsonaro. Até o momento, silenciaram. Será que terão coragem de engavetar?’, questionou a senadora.
A Liesa, em nota, esclareceu que o valor destinado é igualitário, com R$ 1 milhão para cada escola de samba do Grupo Especial, e que a intervenção da Embratur segue normas estabelecidas que não interferem na escolha dos sambas-enredo, garantindo a autonomia artística das agremiações.
Ação Popular e Críticas do Novo
A polêmica se intensificou com a ação popular do deputado Kim Kataguiri (MBL-SP), a qual visa barrar o repasse de R$ 1 milhão para uma escola de samba em Niterói, sob a alegação de que o recurso pode ser utilizado para promover uma imagem positiva de Lula, pré-candidato à reeleição. O parlamentar solicitou não apenas a suspensão do termo de cooperação, mas também o bloqueio de novos repasses e a devolução dos valores já transferidos.
Além disso, o partido Novo também entrou na discussão, questionando o samba-enredo escolhido pela Acadêmicos de Niterói para o Carnaval de 2026. O líder da legenda na Câmara, deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), argumentou que a homenagem à trajetória política de Lula é, na verdade, uma peça de propaganda eleitoral. ‘O PT confunde propositalmente o público e o privado. O que Lula faz é sequestrar o Estado para seus próprios fins’, defendeu van Hattem.
Implicações e Reações
O valor total que a Acadêmicos de Niterói poderá receber, incluindo a contribuição da Embratur, pode chegar a R$ 9,65 milhões, provenientes de diversas esferas de governo. A polêmica em torno do uso de verbas públicas para promover um enredo centrado em um político em um ano eleitoral levanta questões sobre a isonomia no processo eleitoral e a ética na utilização de recursos públicos.
A Liesa reafirmou, por meio de uma nota, que a distribuição dos recursos é igualitária e que o apoio do governo federal ao Desfile das Escolas de Samba foi realizado através do Ministério do Turismo, em 2025 e 2026, com o mesmo montante de R$ 12 milhões. Também foram citados os patrocínios do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Prefeitura do Rio de Janeiro, no valor de R$ 40 milhões e R$ 25,8 milhões, respectivamente.
O Carnaval, uma das maiores expressões culturais do Brasil, é amplamente reconhecido por atrair turistas de todo o mundo. As projeções para este ano indicam um crescimento de 26% na chegada de turistas estrangeiros, com uma movimentação econômica estimada em mais de R$ 5,7 bilhões apenas no Rio de Janeiro.
A Autonomia Artística e a Liberdade de Expressão
A Embratur reiterou que não interfere na escolha dos sambas-enredo, respeitando a liberdade de expressão das escolas de samba. A polêmica em torno da homenagem a Lula não apenas reflete tensões políticas atuais, mas também levanta discussões sobre o papel da arte e da cultura em campanhas eleitorais e a utilização de recursos públicos em um contexto eleitoral.
Enquanto a sociedade observa atentamente o desenrolar dessa questão, o debate sobre a ética na política e a utilização de verbas públicas para homenagens se intensifica, colocando em evidência a necessidade de um olhar crítico sobre as práticas eleitorais e culturais no Brasil.

