Desafios no Retorno do Recesso
No retorno do recesso parlamentar, o Congresso Nacional terá pela frente a análise de 70 vetos proferidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo o veto integral ao projeto que visava reduzir as penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Além disso, há diversos outros vetos, tanto totais quanto parciais, que aguardam deliberação.
Entre as principais medidas vetadas está a alteração nas Diretrizes Orçamentárias (LDO) que propunha o aumento do fundo partidário, a ampliação da representação na Câmara dos Deputados de 513 para 531 cadeiras e a padronização da idade limite para ingresso nas carreiras de policiais e bombeiros militares em todo o país. As lideranças no Congresso estão mobilizadas para tentar derrubar o veto relacionado ao projeto de Dosimetria assim que as atividades legislativas forem retomadas em fevereiro.
Queda de Vetos e Justificativas de Lula
Até o final de 2022, mais da metade (51) dos 106 vetos de Lula, desde que assumiu seu terceiro mandato, foram ou parcialmente rejeitados ou derrubados pelo plenário do Congresso. Na última semana, o presidente sancionou a LDO com uma ressalva ao dispositivo que implantaria um mecanismo permanente de atualização do fundo partidário, o qual permitiria um aumento significativo no valor do fundo em 2026, atrelado a projeções inflacionárias e ao espaço fiscal.
Lula justificou seu veto afirmando que a medida “contraria o interesse público” ao elevar o valor do fundo partidário, o que poderia impactar negativamente as despesas necessárias à Justiça Eleitoral. O presidente argumenta que essa decisão visa garantir um equilíbrio nas contas públicas, especialmente em ano eleitoral.
Vetos Relacionados ao Aumento da Câmara e à Segurança Pública
Outro veto significativo de Lula foi ao aumento do número de deputados federais. Em julho do ano passado, ele vetou a proposta que ampliava o número de cadeiras na Câmara, alegando que tal mudança violaria princípios constitucionais, além de não apresentar uma estimativa financeira adequada para o aumento das despesas que isso acarretaria.
O veto a um projeto que fixava em 35 anos a idade máxima para ingresso nas forças policiais e em 40 anos para oficiais com especializações também gerou reações. Essa proposta, apresentada pelo deputado Guilherme Derrite (PL-SP), foi considerada inconstitucional pelo governo, que tomou a decisão após avaliações do Ministério da Justiça e da Advocacia-Geral da União.
Questões de Porte de Arma e Conservação Ambiental
Dentre os vetos que permanecem em análise, destaca-se o que impede a autorização para que policiais legislativos portem armas em assembleias estaduais e na Câmara Legislativa do Distrito Federal sem a devida comprovação de idoneidade e aptidão para o manuseio do armamento. Embora Lula tenha sancionado o projeto, o trecho relacionado à dispensa de comprovações foi vetado.
Adicionalmente, outra questão que ainda precisa ser abordada pelo Congresso é o veto de Lula referente ao uso e proteção da vegetação nativa do bioma Pantanal. Este veto, realizado em outubro, impede a incorporação de áreas desmatadas ilegalmente ao processo produtivo, refletindo a necessidade de um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

