A Revolução da Nova Escola
O término da Ditadura Militar em 1984 marcou o início de uma nova era de democratização do ensino. Nesse contexto, em 1987, a Secretaria de Obras Públicas (SOP) lançou o projeto Nova Escola, com o objetivo de criar um modelo arquitetônico mais acolhedor. Os técnicos da SOP, em colaboração com a Secretaria da Educação (Seduc), buscavam desenvolver um espaço que integrasse alunos, professores e a comunidade local.
Com a nova abordagem, as escolas construídas entre as décadas de 1980 e 1990 se distanciaram das construções anteriores, refletindo um desejo de modernidade e acessibilidade. “Houve um marco com a Nova Escola. O projeto quebrou paradigmas, entregando uma infraestrutura que se assemelhava mais a instituições privadas, demonstrando que o povo também merece qualidade”, afirma Odir Baccarin, arquiteto e urbanista que participou do desenvolvimento do projeto na época.
Escolas que Refletem a Identidade Regional
Os edifícios projetados durante esse período caracterizavam-se pelo uso de tijolos à vista e amplos espaços internos que favoreciam a circulação e a interação dos alunos. Esses espaços eram projetados para serem utilizados em diversas atividades, especialmente quando o acesso ao pátio externo não era possível.
As brizoletas, que eram uma alternativa arquitetônica anterior, foram progressivamente substituídas. O modelo Nova Escola não só incorporou uma estética mais moderna, mas também considerou as especificidades de cada região do Estado. Com o suporte dos escritórios regionais da SOP, foram levantadas as demandas locais para que cada escola atendesse às suas necessidades específicas, garantindo que a qualidade e o padrão se mantivessem.
A Construção Modular e Suas Vantagens
A nova abordagem levou à adoção de uma construção modular, facilitando a implementação e a manutenção das escolas. Eram criados módulos replicáveis para diversas áreas funcionais, como bibliotecas e salas de aula. Dessa forma, a instalação poderia ser adaptada conforme as necessidades de cada unidade escolar, tornando o processo de construção mais ágil e econômico.
Com a padronização dos módulos, a construção se tornou mais rápida e eficiente. Seriam erguidos aproximadamente 350 prédios no modelo Nova Escola, incluindo instituições como o Colégio Estadual Professora Edna May Cardoso, em Santa Maria, e a Escola Estadual de Ensino Fundamental João Carlini, em Ajuricaba. Essas novas edificações substituíam estruturas mais antigas, que se encontravam em péssimas condições de conservação, e acomodavam o crescente número de alunos, adaptando-se às novas realidades comunitárias.
Inovações nos Anos 90: Cieps e Caics
Na década de 1990, seguindo a linhagem de inovações, surgiram os Centros Integrados de Escola Pública (Cieps), inspirados por um modelo criado no Rio de Janeiro. Sob a coordenação do arquiteto Jorge Debiagi, as escolas Cieps eram projetadas para oferecer ensino em tempo integral, integrando múltiplos serviços sociais para comunidades carentes. O foco era democratizar o acesso à educação, aliando educação a saúde e cultura.
Posteriormente, o conceito evoluiu para os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caics), que mesmo com uma diminuição na quantidade de instituições, mantiveram a proposta de atender as necessidades educacionais e sociais de forma integrada.
Investimentos Recentes em Infraestrutura Escolar
Atualmente, o governo do Estado, sob a gestão de Eduardo Leite, tem promovido uma ampla revitalização das escolas históricas, com um investimento significativo. Desde 2019, mais de meio bilhão de reais foram aplicados em obras escolares, aumentando a qualidade e infraestrutura das instituições de ensino no estado.
Dados recentes afirmam que mais de 53% das escolas estaduais começarão 2026 com salas de aula climatizadas, refletindo um compromisso com a melhoria das condições de ensino. O governo já investiu mais de R$ 621 milhões em projetos escolares desde 2023, contabilizando 500 obras concluídas. Estas melhorias visam garantir que as estruturas educacionais estejam em conformidade com as exigências atuais e proporcionem um ambiente adequado para o aprendizado.
A evolução da arquitetura escolar no Rio Grande do Sul espelha as transformações nos ideais educacionais ao longo dos anos, garantindo que cada novo projeto atenda de maneira eficaz às necessidades da população. O legado da Nova Escola continua a ser uma referência na busca por uma educação mais acessível e de qualidade.

