O Crescimento do Turismo na Região dos Lagos
A Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, está atravessando um período de otimismo econômico, fortemente impulsionado pelo turismo. Esta atividade se consolida como o principal motor do desenvolvimento do comércio e dos serviços na área. A análise foi feita por Adelson Vargas em uma entrevista no videocast O Rio Pod+, produzida pela Fecomércio RJ.
Com mais de 50 anos de experiência no comércio e 36 anos dedicados ao movimento sindical, Vargas tem acompanhado de perto as mudanças econômicas que ocorreram na região. Ele aponta que atividades tradicionais, como a pesca e a produção de sal, vêm perdendo espaço ao longo das décadas, sendo o turismo elevado a principal vetor de crescimento.
Cidades Com Vocações Turísticas Diversificadas
O Sindcom da Região dos Lagos abrange sete municípios: Cabo Frio, Armação dos Búzios, Arraial do Cabo, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande. Cada um desses destinos apresenta vocações turísticas próprias — do mergulho em Arraial ao surfe em Saquarema, passando pelo perfil internacional de Búzios. No entanto, todas as cidades estão interligadas pela força do turismo, que se torna cada vez mais relevante.
Vargas destaca que o aumento no fluxo de visitantes afeta diretamente o desempenho do comércio e dos serviços locais. Além disso, ele enfatiza a importância do diálogo constante entre empresários e gestores públicos, que é fundamental para alinhar demandas e garantir que a infraestrutura da região acompanhe o crescimento da atividade turística.
Invasão de Novas Marcas e Oportunidades para o Comércio Tradicional
Outro aspecto comentado por Vargas foi a chegada de grandes marcas e a consolidação de centros comerciais em Cabo Frio. Para ele, esses novos investidores não representam uma ameaça ao comércio tradicional, mas sim uma oportunidade de parceria. “Não é um concorrente, é um parceiro que chegou”, ressalta, incentivando os empresários a investir em atendimento de qualidade e credibilidade para se manter competitivos.
A qualificação profissional também se destaca como prioridade no setor. O presidente do sindicato revelou planos de solicitar ao Sistema Fecomércio RJ a criação da Unidade Móvel de Gastronomia, um projeto itinerante que visa capacitar profissionais de bares e restaurantes em todos os sete municípios representados pela entidade. Este projeto deverá contar com o apoio do Senac RJ, tornando-se um recurso valioso para a formação de mão de obra qualificada.
Adaptação e Resiliência dos Empresários
Embora o segundo semestre costume ser um período mais cauteloso para o comércio, Vargas acredita que a capacidade de adaptação dos empresários, especialmente dos pequenos empreendedores – que representam a maioria entre os associados – é um fator que garante a resiliência do setor. Durante a conversa, ele também abordou o tema do turismo de “bate-volta”. Embora a permanência prolongada dos visitantes seja o ideal, Vargas ressalta que aqueles que visitam a cidade apenas por um dia também desempenham um papel significativo na economia local, consumindo em restaurantes, lojas e postos de combustível.

