A Decisão que Deixou o Mercado em Alerta
A Petrobras anunciou nesta terça-feira (17) o cancelamento dos leilões de combustíveis programados para o início desta semana, uma medida que gerou preocupação no setor. Essa decisão se torna ainda mais relevante em um momento em que importadores privados estão diminuindo suas compras, especialmente após os conflitos no Irã que afetaram o mercado global de petróleo.
A estatal, que realiza essas licitações regularmente como forma de complementar a oferta de diesel no Brasil, comunicou que irá reavaliar as condições do mercado e fornecerá atualizações sobre os leilões em um futuro próximo. Em declarações recentes, a companhia revelou que planejava leiloar 95 milhões de litros de gasolina e 70 milhões de litros de diesel para abril, volumes que representam apenas 3% e 1,4% das vendas desses combustíveis, respectivamente, no mês de abril de 2025.
Impacto no Abastecimento Interno
Apesar de serem quantidades consideradas pequenas, esses leilões têm grande importância para as distribuidoras, pois a Petrobras poderá ter um papel fundamental no abastecimento do mercado interno nos próximos meses. Isso se deve ao fato de que as importações privadas estão em queda acentuada, reflexo do aumento das cotações internacionais do petróleo em decorrência da guerra.
Segundo especialistas do setor, embora as provisões para março estejam asseguradas, os volumes importados previstos para abril são alarmantemente baixos. “Os novos contratos de importação após o início da guerra foram muito reduzidos”, comentou Sérgio Araújo, presidente da Abicom (Associação Brasileira das Importadoras de Combustíveis). Ele ainda destacou que o setor privado enfrenta dificuldades para importar devido à discrepância nos preços.
Defasagem de Preços e Consequências
Na abertura do mercado nesta terça-feira (17), por exemplo, o preço do diesel nas refinarias da Petrobras era R$ 1,97 por litro inferior à paridade de importação estabelecida pela Abicom. No caso da gasolina, a diferença era de R$ 1,20 por litro. Essa defasagem de preços persiste mesmo após o recente reajuste no preço do diesel, que foi de R$ 0,38 por litro, anunciado na última sexta-feira (13), um dia após o governo lançar um pacote para lidar com a alta do petróleo.
Esse pacote contempla a isenção de impostos federais no valor de R$ 0,32 por litro e uma subvenção equivalente para produtores e importadores que concordarem em vender diesel a um preço que ainda será definido pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).
Expectativas e Respostas do Mercado
A ANP está se esforçando para estabelecer o preço nesta semana, mas enquanto não houver clareza sobre essa definição, as empresas privadas estão hesitantes em buscar cargas de diesel no exterior. Em 2025, as importações privadas representaram cerca de 50% das compras externas do combustível no país.
A Petrobras, por sua vez, informou que tem fornecido ao mercado volumes 15% superiores aos contratados e que adiou paradas de manutenção em suas refinarias para garantir o abastecimento durante o conflito em andamento. Na última sexta-feira, Magda Chambriard, presidente da estatal, garantiu que não há escassez de combustíveis no Brasil.

