Candidatura e Tensões no Cenário Político Mineiro
O senador Cleitinho, em um movimento estratégico, anunciou que escolheu o prefeito de Divinópolis, Falcão, como seu possível vice em uma chapa para as eleições em Minas Gerais. Durante um evento de filiação ao Republicanos no último fim de semana, Cleitinho elogiou Falcão, destacando sua experiência na Associação Mineira de Municípios (AMM), que representa 837 dos 853 municípios do estado. “Se eu for candidato a governador, desejo que quem possa me acompanhar não seja apenas um vice, mas um parceiro que compreenda a realidade das cidades mineiras”, afirmou.
O clima entre Falcão e o vice-governador Simões não é dos melhores. Desde o início do ano, surgiram atritos entre eles, especialmente quando a deputada estadual Lud Falcão (Podemos) relatou ter recebido uma ligação ameaçadora de Simões. Em suas redes sociais, ela acusou o vice-governador de querer “fechar as portas do Executivo” para sua família, caso não houvesse um pedido de desculpas.
Mais tarde, Falcão reagiu a um comentário irônico de Simões durante um evento, onde o vice-governador insinuou que um prefeito do interior ofereceu “dois estagiários” para ajudar a Polícia Militar. Falcão viu isso como uma ofensa e apontou que Simões não tinha noção do que ocorre nas cidades fora da capital.
Apesar das divergências, Simões tentou amenizar a situação, buscando ressaltar seu respeito por Cleitinho. No entanto, a relação entre os dois se deteriorou a ponto de Falcão afirmar que a comunicação com o governo de Minas foi severamente afetada desde o incidente.
Falcão expressou sua frustração: “Foi uma conversa exaltada que culminou em ameaças. Isso se confirmou, pois desde então não conseguimos nem agendar uma reunião com o governo. Cortaram os contratos que tínhamos com a AMM para capacitar prefeitos, deixando de lado a institucionalidade que sempre existiu”.
Potencial União da Direita em Minas
Em meio a esse cenário conturbado, Falcão disse ter respeito por Simões, mas frisou a importância de unir a direita em Minas. Ele mencionou que Cleitinho aparece como o líder nas pesquisas e tem plenas condições de liderar essa aliança. Publicamente, nenhuma das partes descarta a possibilidade de um acordo nas próximas eleições.
Cleitinho, por sua vez, afirmou que focará sua campanha apenas em maio ou junho, mas está ativo nas redes sociais. Após receber apoio das lideranças do Republicanos, começou a compartilhar conteúdos acerca de sua candidatura, enfatizando que suas intenções são “por Minas e pela educação” em todo o Brasil.
Além disso, Cleitinho busca alinhar-se com outros membros do campo bolsonarista, incluindo o deputado Nikolas Ferreira (PL), ao qual ofereceu apoio em troca de desistência de sua própria candidatura. Contudo, Nikolas pretende focar em sua reeleição na Câmara e estabelecer sua própria rede de influência.
Entre os apoiadores de Cleitinho, há um movimento crescente dentro do PL, onde deputados estaduais como Cabo Caporezzo e Sargento Rodrigues defendem suporte à sua candidatura. Por outro lado, aliados de Simões acreditam que este ganhará destaque ao assumir o governo, substituindo Zema no cargo, a partir do dia 22 de março.
Desafios e Críticas no Cenário Político
Com a crescente tensão política, Simões também criticou o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, que enfrenta uma investigação da Polícia Federal relacionada a fraudes no INSS. “O Republicanos deve se preocupar mais em esclarecer a situação de seu presidente, que está quase preso, do que em administrar o estado”, desabafou.
Simões, que também considerou o irmão de Cleitinho, Gleidson Azevedo (PL), para compor sua chapa, atualmente tem a vereadora Fernanda Altoé (Novo) como principal candidata ao cargo de vice. A movimentação no cenário político de Minas Gerais promete intensificar os desafios para todos os envolvidos na corrida eleitoral, uma vez que cada passo será crucial para definir as alianças e posicionamentos que moldarão o futuro político do estado.

