Mobilização em Favor do SUS
Na última terça-feira (25), o Rio de Janeiro foi palco de um significativo Encontro Estadual de Saúde, que reuniu mais de 600 participantes no auditório do Windsor Guanabara Hotel. Este evento teve como objetivo principal mobilizar a sociedade em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e se preparou para a 18ª Conferência Nacional de Saúde. Sob o lema “SUS, Democracia e Soberania: Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil”, o encontro promoveu debates essenciais sobre financiamento público, gestão participativa e a importância de fortalecer o Controle Social.
O encontro enfatizou a necessidade de discutir a gestão e o financiamento do SUS, estruturando sua programação em torno de três eixos fundamentais: garantir mais recursos para a saúde, reforçar o controle social e expandir o acesso através de modelos de atenção integrados e eficazes. Além de debates técnicos, os organizadores destacaram o papel dos Conselhos de Saúde, que representam a gestão democrática e favorecem o diálogo entre os planejadores de políticas e os usuários do sistema.
A Importância da Democracia na Saúde Pública
O evento teve início com uma apresentação cultural que revisitou a história da constituição do SUS. A esquete “Zé do Caroço”, apresentada pelo Grupo Bacurau, trouxe à tona a realidade das comunidades, ressaltando que a mudança política se origina da organização social nos territórios. Essa introdução cultural conectou todos os presentes ao tema central da mobilização.
Com o objetivo de fortalecer o debate público sobre o financiamento e a gestão do SUS, o encontro destacou a importância do Controle Social. A programação contemplou a participação de diversas lideranças, incluindo Rosemary Mendes Rocha, que, emocionada, disse: “O território tem voz, o território tem dor, o território tem sonhos e alguém precisa escutar”. Para ela, o SUS representa uma luta contínua pela resistência e transformação social.
Patrícia Santana, da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio, elogiou o trabalho combativo do conselho fluminense, enfatizando a necessidade de planejamento técnico. “Tudo que vocês esperam do SUS deve estar no plano municipal de saúde”, orientou. Durante a manhã, a coordenadora Vânia Bretas reafirmou que a qualidade da saúde pública depende da participação ativa da população. A conselheira nacional Valquíria Alves trouxe à tona a frase de Sérgio Arouca: “Democracia é saúde, saúde é democracia”, ecoando o clamor por estabilidade profissional expressado pelos participantes.
Mensagem do Ministro da Saúde
Um dos momentos mais aguardados foi a exibição de um vídeo com uma mensagem do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Ele destacou a nova abordagem do ministério, que agora busca ouvir as demandas das comunidades. “Estamos descendo aos territórios para ouvir o que cada um de vocês tem para apresentar”, afirmou o ministro, celebrando conquistas como 14,7 milhões de cirurgias realizadas em 2025.
Na parte da tarde, os debates se concentraram em questões estruturantes, com Solange Belchior, conselheira estadual de saúde, enfatizando a necessidade de mais recursos e participação social. Eliane Cruz, chefe de gabinete do Ministério da Saúde, comunicou que o governo atual tem se empenhado para reverter cortes anteriores, destacando que “o Lula trouxe 40 milhões de volta do que o Bolsonaro tirou” da saúde. Ela ressaltou a importância de um ambiente democrático para a realização de conferências de saúde.
A Voz do Controle Social
As discussões também abriram espaço para a voz de quem vivencia o controle social diariamente. Daniele Moretti, conselheira nacional, expressou sua preocupação com o esvaziamento das discussões e ressaltou a importância da presença ativa nos espaços de decisão. Carlos Alberto, de Duque de Caxias, questionou quando as discussões se traduzirão em ações concretas para o sistema de saúde, reforçando que a unidade é vital para a realização de mudanças significativas.
O compromisso com a estabilidade no serviço público foi destacado por Pedro, que criticou as reformas que podem ameaçar a estabilidade dos profissionais, afirmando que garantir essa estabilidade é proteger o atendimento ao cidadão. Franklin Félix, do Ministério da Saúde, encerrou as falas enfatizando a importância de um SUS inclusivo e respeitoso, apto a acolher a diversidade da população brasileira.
Compromissos para o Futuro
O encontro culminou na leitura da “Carta de Compromissos em Defesa do SUS”, que sintetiza eixos prioritários como o financiamento adequado e a justiça socioambiental. A plenária também pediu a inclusão da defesa de concursos públicos para assegurar uma gestão pública estatal forte e valorizada. Como legado prático, o Conselho Nacional de Saúde e o Conselho Estadual de Saúde do RJ convocaram Audiências Públicas para o Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril, unindo as lutas locais ao movimento nacional. O evento finalizou com uma apresentação da Escola de Samba Império de Charitas, celebrando que a defesa do SUS é a defesa da vida e da soberania do Brasil.

