Operação Castratio e Denúncias de fraude
A Polícia Federal (PF) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) indícios que ligam o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ) a um suposto esquema de fraudes em licitações, beneficiando-se da causa animal. Na manhã desta terça-feira (12), a Operação Castratio foi deflagrada no Rio de Janeiro, com Queiroz sendo o alvo principal, acusado de envolvimento em práticas de peculato e lavagem de dinheiro, especialmente relacionadas à contratação de uma empresa para castração de animais pelo governo estadual.
Segundo a PF, as irregularidades teriam começado durante o período em que Queiroz ocupou a secretaria responsável pela pasta. “É crucial destacar que o comprometimento do deputado com a causa animal parece ter sido impulsionado por contratos fraudulentos, resultando em votos e prestígio político”, afirmou a corporação.
Defesa de Marcelo Queiroz se Pronuncia
A defesa do deputado contestou as alegações, declarando que a tentativa de associar sua imagem a um escândalo originou-se de comentários infundados durante a campanha eleitoral para a prefeitura em 2024, quando ele se recusou a apoiar o candidato do ex-governador do Rio de Janeiro.
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Fraudes Milionárias
De acordo com a decisão que autorizou a ação, o ministro Flávio Dino, do STF, ressaltou que as fraudes estariam ligadas à empresa Consuvet — Soluções em Saúde Animal. O documento aponta que Queiroz ocupava a secretaria justamente no período em que as fraudes começaram a ocorrer, e também investiga a ligação de assessores do parlamentar com o esquema.
A PF indicou que a Consuvet, criada em julho de 2021 com um capital social de apenas R$ 20 mil, firmou contratos em um curto espaço de tempo que totalizam quase R$ 200 milhões. Desses, R$ 35 milhões já foram pagos. Para se ter uma ideia, em apenas quatro meses, a empresa conseguiu firmar acordos que superam R$ 8,3 milhões com a Secretaria de Agricultura e Pecuária (SEAPPA).
Além disso, a investigação revelou que contratos aditivos aumentaram significativamente os valores pagos à Consuvet, sem nenhuma justificativa técnica clara. Curiosamente, o patrimônio de Queiroz teria apresentando um crescimento de aproximadamente 665% durante o período, de acordo com as declarações feitas à Justiça Eleitoral. Mesmo após seu afastamento da secretaria para assumir o cargo de deputado federal, ele continuou vinculado a membros do grupo investigado.
Criação da Empresa e Ligação com Licitações
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O portal RJ2 revelou que a Consuvet foi constituída apenas três meses antes de ser favorecida nas licitações. Investigações anteriores da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro já haviam identificado indícios de superfaturamento e direcionamento nas contratações da empresa.
A figura central da Consuvet, Antônio Emílio Santos, era diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Agricultura antes da licitação. Ele foi o responsável por autorizar a abertura do processo licitatório que garantiu à empresa o contrato. Pouco tempo depois, passou a ser sócio da Consuvet e recebeu R$ 888 mil em um período de apenas oito meses, conforme relatórios de inteligência que chamaram a atenção das autoridades.
O Papel do Deputado e a Operação
A Polícia Federal busca esclarecer se Queiroz atuava como líder do esquema ou apenas como um beneficiário dos contratos. Para isso, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nesta terça-feira. Durante a operação, Queiroz foi abordado no Aeroporto Santos Dumont, onde se preparava para embarcar para Brasília, e teve seu celular apreendido.
As ações policiais ocorreram em diversos endereços no Rio de Janeiro e São Paulo, onde foram encontrados valores em espécie, inclusive na sede da secretaria, em Niterói. A investigação segue sob a responsabilidade da PF, dada a posição privilegiada do parlamentar no cenário político.
Histórico Político de Marcelo Queiroz
Marcelo Queiroz iniciou sua trajetória política em 2012, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e passou a ocupar diversos cargos, incluindo secretário municipal de Administração e, posteriormente, secretário estadual de Meio Ambiente e Agricultura. Em 2022, ele foi eleito deputado federal.
A defesa do deputado reafirma seu respeito às instituições e ao processo legal, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos. A situação continua a atrair a atenção das autoridades e da opinião pública, especialmente devido à gravidade das acusações e ao montante em questão.

