Iniciativa Comunitária que Preserva a Natureza e Promove a Educação
No Alto da Boa Vista, onde as trilhas e a flora da Floresta da Tijuca contam histórias e refletem a cultura local, moradores se uniram para criar um projeto de turismo que é puro reflexo de sua conexão com a terra. Desde 2022, o Agrega Alto vem promovendo experiências que misturam aprendizado e atividades ecológicas, atraindo tanto visitantes quanto estudantes em busca de um contato mais profundo com a natureza. A proposta visa fortalecer o vínculo entre os moradores e o ambiente, transformando a floresta em uma sala de aula ao ar livre.
Recentemente, o projeto deu um passo significativo ao participar de uma capacitação sobre mínimo impacto ambiental, preparando os membros da comunidade não apenas para receber visitantes, mas também para disseminar conhecimentos adquiridos por meio de cursos e palestras. Essa evolução marca um novo ciclo de pertencimento e aprendizado, que se relaciona diretamente com a história do espaço.
O local onde o Agrega Alto funciona remete a um sítio familiar da década de 1940, onde Dirlei Silva, seu fundador, passou sua infância. Seu avô cultivou a terra e sustentou a família, e após anos de abandono, durante a pandemia, Dirlei decidiu resgatar esse legado. A ideia de unir tradição e preservação ambiental tomou forma e, desde 2022, o projeto já conquistou visitantes de diversas origens, proporcionando vivências únicas.
Experiências que Conectam Pessoas e Natureza
O Agrega Alto estruturou uma série de roteiros que incluem trilhas interpretativas, educação ambiental inclusiva, práticas de agricultura familiar e gastronomia feita na lenha. Com o objetivo de conectar os visitantes a outros serviços da comunidade, como restaurantes e atividades locais, o projeto já recebeu cerca de 2.300 pessoas em apenas três anos. Silva destaca que a diversidade do público é uma das maiores conquistas, com escolas, universidades e turistas explorando as experiências oferecidas.
As atividades são moldadas conforme as necessidades de cada grupo, mas um conceito permanece: a importância de ouvir as histórias dos moradores. Silva reforça que a autenticidade das narrativas proporcionadas pela comunidade é essencial para quebrar estereótipos e promover um entendimento mais profundo sobre a vida na região.
Recentemente, o Agrega Alto passou por uma formação que elevou o conhecimento de seus integrantes sobre práticas de turismo sustentável. O curso, conhecido como Leave No Trace — Instrutor Nível 1, foi ministrado por especialistas e abordou tópicos cruciais para a preservação do meio ambiente. Ao final, todos os participantes foram certificados, o que representa um ganho significativo para a capacitação dos moradores.
Um Legado de Conhecimento e Sustentabilidade
O impacto da formação vai além das técnicas de conservação; ela simboliza uma mudança de papel para os moradores, de meros participantes a protagonistas desse projeto. Silva menciona que, embora a família já conhecesse a floresta, o curso ofereceu novas perspectivas sobre como conviver de forma responsável e sustentável com o ambiente natural. Para ele, é vital que todos entendam a importância de preservar a biodiversidade e a riqueza cultural que a área oferece.
A formação focou não apenas na teoria, mas também em práticas, como o correto descarte de resíduos e a preservação de elementos naturais. Para Silva, a educação ambiental é especialmente eficaz quando direcionada ao público infantil. O objetivo é que as crianças levem consigo não apenas informações, mas também memórias que as tornem adultas conscientes e responsáveis.
Uma das histórias marcantes do projeto envolve uma professora indígena que, durante uma trilha interpretativa, se reconectou com ervas e árvores que conhecia de sua infância no Pará. Essa troca de saberes evidencia a intenção do Agrega Alto em valorizar a relação entre identidade e natureza.
Preservação como Pilar do Futuro do Alto da Boa Vista
O Agrega Alto não é apenas um espaço para passeios, mas sim um lugar que oferece uma leitura rica da paisagem, onde se compartilham memórias e se constrói uma noção mais ampla do que é a comunidade. Ao colocar os moradores como anfitriões e educadores da experiência, o projeto se destaca por unir preservação e valorização do território.
Dirlei Silva expressa seu desejo de que o legado de seu avô continue vivo, atingindo não apenas sua família, mas também as futuras gerações. Isso dá uma dimensão emocional ao trabalho realizado. “Cada plantio e cada gota de suor valeram a pena, pois minha herança agora alcança outros e não se limita apenas ao seio familiar”, conclui.

