Aliados de Paes em Alerta
A possibilidade de uma eleição direta fora de época no Rio de Janeiro tem gerado apreensão entre os apoiadores do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo do estado e mantém uma aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O temor é que esse pleito se transforme numa oportunidade valiosa para o senador Flávio Bolsonaro (PL), que poderia percorrer o estado ao lado de Douglas Ruas, seu candidato pouco conhecido, angariando apoios não apenas para Ruas, mas também para sua própria candidatura à Presidência da República.
No Rio, berço político do bolsonarismo, o ex-presidente Jair Bolsonaro venceu nas duas eleições em que participou. Apesar de ter conquistado uma expressiva votação, a adesão ao seu nome diminuiu entre os fluminenses de 2018, quando alcançou 67,95%, para 2022, quando obteve 56,53%, o que representa uma queda superior a 11 pontos percentuais.
Confiança e Desafios de Paes
O alerta na campanha de Paes é palpável, embora o ex-prefeito mantenha uma postura confiante em relação à possibilidade de uma eleição direta, cuja previsão de realização está marcada para junho. As últimas pesquisas de intenção de voto indicam Paes na liderança, com 46% das intenções, em contraste com apenas 13% para Douglas Ruas, segundo dados da Real Time Big Data.
Vale destacar que foi o próprio PSD de Paes que judicializou o processo na disputa pelo Palácio Guanabara, solicitando que a eleição ocorresse de forma direta. Para isso, o partido recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), buscando anular a decisão que previa uma eleição indireta. O plenário do TSE agendou para 8 de abril o julgamento que definirá as regras da disputa.
Decisões Judiciais e Cenário Político
Na última sexta-feira, dia 27, uma decisão do ministro Cristiano Zanin suspendeu a realização das eleições indiretas para o cargo de governador do Rio. Zanin determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, permaneça no cargo até que o Supremo Tribunal julgue a questão.
Ricardo Couto assumiu a governança do estado após a renúncia de Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo para se candidatar ao Senado e tentar se desvincular da situação de inelegibilidade imposta pelo TSE. Apesar de seus esforços, Castro foi condenado por abuso de poder político nas eleições de 2022, sendo considerado inelegível até 2030.
O próximo na linha sucessória, o vice-governador Thiago Pampolha, já havia se afastado do cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Assim como Castro, Pampolha também foi alvo de condenação pelo TSE.
Este cenário complexo e em constante mudança revela um panorama onde a política no Rio de Janeiro está prestes a ser balançada por novas decisões e estratégias eleitorais. A disputa promete ser acirrada, e a movimentação dos atores políticos, especialmente de Paes e Bolsonaro, será observada atentamente pelos eleitores e analistas.

