Memorial Zumbi: Um Espaço Revitalizado para a Cultura
Na noite de terça-feira, 31 de março, o Memorial Zumbi dos Palmares, em Volta Redonda, celebrou sua reabertura com uma série de apresentações culturais que destacaram a rica herança afro-brasileira. O espaço, sob a gestão da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), recebeu melhorias significativas em sua infraestrutura e novos equipamentos, tudo isso viabilizado pelo edital Nossos Museus, da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ). A produtora Estação das Artes foi a responsável pela execução das reformas.
A coordenadora do Memorial, Renata Ferreira, não escondeu a emoção ao recordar sua relação com o espaço, que frequenta desde sua inauguração em 1991. Ao comemorar os avanços, ela também expressou sua gratidão pela presença de ex-coordenadores e figuras importantes da cultura local, como Nilzete Xavier e Margô Ramalhete, entre outros.
“A manutenção do Memorial Zumbi é de uma relevância imensa. Este é um espaço de cultura preta, do axé, do jongo, da capoeira e muito mais. A cidade se estabelece como um polo significativo na luta por uma educação antirracista, e a revitalização do memorial reafirma essa trajetória”, destacou Renata.
A Importância do Espaço para a Comunidade
Pai Sid, membro da Cultura Afro no Conselho Municipal de Cultura e ex-coordenador do Memorial, também fez questão de salientar o significado do espaço. “Esse local é uma referência para a população preta, resguardando histórias e memórias que permanecem vivas. É imprescindível que seja cuidado tanto pelo poder público quanto pela comunidade que frequenta e faz a cultura preta florescer”, declarou.
O secretário municipal de Cultura, Anderson de Souza, evidenciou o impacto das melhorias na infraestrutura e na aquisição de novos equipamentos, além de expressar sua satisfação com a colaboração da Estação das Artes. Durante a reabertura, ele anunciou uma novidade: o Memorial Zumbi será um dos centros que receberá uma das quatro Salas de Leitura a serem instaladas na cidade na próxima semana. “Serão disponibilizados quatro mil livros – entre impressos e e-books –, 40 tablets, notebooks, uma Smart TV, além de mobiliário adequado. Essa estrutura transformará o Memorial em um centro de pesquisa sobre a cultura afro-brasileira”, explicou o secretário.
Uma Conexão com a História
Durante o evento, o icônico Mestríssimo, referência no movimento negro em Volta Redonda, fez uma entrega simbólica: uma réplica de uma das primeiras obras que integraram o acervo do Memorial Zumbi, que havia sido roubada. “Participo do movimento negro desde os 13 anos e hoje, aos 76, vejo a importância de resgatar nossa história. É uma honra trazer essa arte de volta ao acervo”, afirmou Mestríssimo.
Acessibilidade em Foco
Sérgio Vieira, um dos coordenadores da Estação das Artes, destacou o compromisso com a acessibilidade nas reformas realizadas. O espaço agora conta com adaptações para pessoas com deficiência, como banheiros adaptados, instalação de sinalização em Braille e mapas táteis. “Equipamos a biblioteca do Memorial com um notebook adaptado, dois aparelhos de ar-condicionado, equipamentos audiovisuais e uma cadeira com altura regulável. Essas melhorias são fundamentais para garantir que todos possam aproveitar este espaço cultural”, enfatizou.
A reforma do Memorial Zumbi foi possível graças ao empenho das secretarias municipais de Obras (SMO) e de Serviços Públicos (SMSP), que realizaram pintura e revisões necessárias nas instalações elétricas e hidráulicas. O prefeito Antonio Francisco Neto ressaltou a importância dessas melhorias: “Esse espaço de cultura, luta e resistência merece ser valorizado, especialmente para as pessoas com deficiência. Agradecemos ao Governo do Estado por mais este investimento em nossa cidade”, concluiu.
Uma Noite Cultural de Celebração
Após a cerimônia de reabertura, o público teve a oportunidade de desfrutar de uma programação cultural vibrante. O Coral Municipal iniciou as apresentações com músicas africanas, seguido pela capoeira da Mestre Arara, que trouxe a alegria da dança. Para encerrar a festa, o grupo de samba Realce fez todos cantarem e dançarem, celebrando a cultura afro-brasileira em grande estilo.
Com essas iniciativas, o Memorial Zumbi se reafirma como um espaço fundamental na luta pela valorização da cultura negra e pela promoção da igualdade racial na região.

