Crescimento da Utilização de Canetas Emagrecedoras
Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revelou que 62% dos brasileiros conhecem alguém que utiliza canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis frequentemente usados para o tratamento de diabetes e obesidade. O levantamento indica que, em 1 a cada 3 lares (33%), há pelo menos um morador que faz uso ou já fez uso desses medicamentos. Esse aumento no conhecimento sobre as canetas emagrecedoras, que começou a ser percebido no final do ano passado, salienta uma mudança significativa nos hábitos da população.
O estudo, realizado entre os dias 3 e 9 de fevereiro com uma amostra de 1.004 pessoas de diversas regiões do Brasil, foi feito por meio de um questionário digital, permitindo uma análise precisa dos dados. De acordo com a amostra, que foi ajustada conforme o perfil da população brasileira, a proporção de lares com usuários das canetas cresceu consideravelmente em poucos meses, subindo de 26% para 33%.
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, comentou sobre esse fenômeno social: “Estamos no meio de um processo que está ganhando espaço, especialmente entre as classes econômicas mais baixas. Isso está diretamente relacionado à redução dos preços e ao crescimento do mercado ilegal. Muitas pessoas estão adquirindo esses produtos de forma inadequada, sem orientação médica adequada.”
O Impacto do Mercado Ilegal
Surpreendentemente, 40% dos entrevistados relataram que adquiriram as canetas sem receita médica, mesmo com a Anvisa exigindo a prescrição para a venda desses medicamentos no Brasil. Muitas compras são feitas pela internet ou em outros países, mostrando a busca por alternativas diante das restrições legais.
O levantamento também revelou que apenas 6% dos participantes disseram nunca ter ouvido falar das canetas emagrecedoras. Entre os que as utilizaram, 24% se identificaram como usuários, sendo que 11% ainda fazem uso atualmente e 13% no passado. A aceitação é alta, com 78% dos usuários afirmando que recomendariam o uso para amigos e familiares.
Outro dado alarmante é que 90% dos que pararam de usar os medicamentos mostraram interesse em retomar o tratamento. Essa informação reflete a persistente atração que esses produtos exercem sobre os consumidores.
Expectativas sobre Acessibilidade e Preços
Com o fim da patente da semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, 76% dos entrevistados acreditam que esses medicamentos estão se tornando mais acessíveis. Além disso, 68% afirmaram que reduções nos preços e facilidade de acesso aumentariam a probabilidade de optarem pelas canetas emagrecedoras.
Ainda que a utilização das canetas esteja mais presente entre usuários de classes sociais mais altas, com 39% dos lares das classes AB reportando pelo menos um morador que faz uso dos medicamentos, a porcentagem entre as classes mais baixas também é significativa, atingindo 30%.
Meirelles ressalta que essa crescente utilização das canetas emagrecedoras pode ter um impacto econômico profundo. Ele observou que “as canetas estão competindo com o orçamento de outros produtos. O dinheiro que antes era destinado a outras categorias agora é direcionado para a compra desses medicamentos. Isso gera uma queda no consumo de produtos industrializados e levanta questões sobre a saúde da população.”
Essa conexão entre saúde e economia é preocupante e ressalta a necessidade de um diálogo mais amplo sobre o uso desses medicamentos e seu impacto na sociedade. À medida que o fenômeno das canetas emagrecedoras se expande, as implicações econômicas e sociais se tornam cada vez mais evidentes.

