Fabrício Queiroz em nova fase política
No cenário político de 2024, Fabrício Queiroz, que concorreu a vereador pelo PL em Saquarema, terminou como primeiro suplente. Planejamentos iniciais de caciques do partido envolviam a possibilidade de nomear um dos três vereadores do PL na prefeitura para garantir uma vaga a Queiroz na Câmara. No entanto, o plano acabou não se concretizando, visto que Queiroz foi nomeado para um cargo na Secretaria Municipal, que é dirigida por um sargento da Polícia Militar.
Na nova função, Queiroz se destaca como uma espécie de ‘xerife’, responsável por supervisionar as atividades da Guarda Municipal. Seu papel não se limita apenas ao âmbito administrativo, uma vez que ele frequentemente comparece a eventos na cidade. Em março, por exemplo, esteve presente na inauguração de uma base do programa Segurança Presente, acompanhado do secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, e do ex-governador Cláudio Castro.
Controvérsias e propostas na segurança pública
Em Saquarema, Queiroz provocou polêmica ao defender a autorização do uso de armas de fogo pela Guarda Municipal, um projeto que, até o momento, não avançou. No ano passado, a secretaria lançou uma ‘ronda ostensiva municipal’, que utiliza uniformes e viaturas semelhantes aos da PM. Recentemente, Queiroz, ex-subtenente da PM, renovou seu porte de arma, embora fontes na cidade indiquem que não é comum vê-lo armando-se.
O passado de Queiroz é marcado por polêmicas. Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) como um dos principais operadores de um esquema de desvio de salários de assessores do então deputado Flávio Bolsonaro, durante sua tenure na Assembleia Legislativa do Rio, em um caso que veio à tona em 2018. A justiça arquivou a denúncia criminal após um longo embate sobre sua competência, o que resultou na anulação de várias provas.
Relação com Flávio Bolsonaro e defesa de Queiroz
Recentemente, Flávio Bolsonaro tem buscado distanciar-se do ex-assessor, transferindo a responsabilidade pelos desvios de recursos para Queiroz, que, segundo ele, tinha ‘autonomia’ no trato com outros funcionários. Queiroz, que recebeu depósitos totalizando R$ 2,079 milhões de assessores entre 2007 e 2018, alegou à Justiça que tais pagamentos ocorreram “sem anuência” de Flávio.
Por outro lado, o MP-RJ procurou contradizer essa versão ao apresentar mensagens em que Queiroz admite a necessidade de ‘prestar contas’ sobre o esquema de rachadinha. Os promotores também revelaram que Queiroz fez um depósito de R$ 25 mil em espécie na conta da esposa de Flávio, pouco antes dela quitar a primeira parcela da compra de um apartamento em Laranjeiras.
Apoio nas campanhas e o futuro político
Nos anos seguintes, entre 2014 e 2018, o Ministério Público destacou depósitos irregulares que Flávio recebeu, totalizando cerca de R$ 275 mil, em valores fracionados, permitindo que as transações evitassem a identificação dos depositantes. Apesar das tentativas de distanciamento entre Flávio e Queiroz, ambos têm demonstrado apoio mútuo. Durante a campanha de 2024, Flávio fez uma visita a Saquarema e referiu-se a Queiroz como o ‘candidato de Bolsonaro’, pedindo votos para sua candidatura a vereador.
“Para entrar na política, é necessário ter couro grosso, e o Queiroz tem. Estamos do lado certo da história. Desejo retornar a Saquarema com o presidente Bolsonaro para dar um abraço na (atual prefeita) Lucimar e em Queiroz”, afirmou Flávio.
A prefeitura de Saquarema, ao ser questionada, declarou que a nomeação de Queiroz seguiu critérios técnicos, destacando sua experiência de 30 anos como PM reformado. A secretaria estadual de Ciência e Tecnologia ainda não se manifestou sobre a atuação de Queiroz na pasta.

