Inflação e Pressão sobre Alimentos Essenciais
O preço da cesta básica no Rio de Janeiro continua sua trajetória ascendente desde dezembro do ano passado. Um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) revelou que, em março, a inflação dos alimentos na capital fluminense foi de 4,96% em comparação com fevereiro.
No terceiro mês do ano, dos 13 itens que compõem a cesta básica, 9 apresentaram aumentos nos preços médios. Entre os produtos com alta, destacam-se o tomate, que subiu 30,59%, seguido pela batata com 17,91% e o feijão preto, que teve um incremento de 4,42%. Além deles, o leite integral (4,18%), a banana (2,30%), a manteiga (1,67%), o pão francês (1,32%), a carne bovina de primeira (1,26%) e a farinha de trigo (0,82%) também registraram elevações significativas.
Por outro lado, alguns itens tiveram suas tarifas reduzidas: o café em pó caiu 3,16%, o arroz agulhinha diminuiu 2,63%, enquanto o açúcar refinado e o óleo de soja apresentaram quedas de 0,74% e 0,38%, respectivamente.
Fábio Queiróz, presidente da ASSERJ e da Associação das Américas de Supermercados (ALAS), salientou que a alta verificada em março reflete uma pressão sobre produtos essenciais, resultado de uma demanda elevada no final de 2025 e dos custos enfrentados no primeiro trimestre de 2024. “Essa situação mantém um alerta ativo em toda a cadeia produtiva, especialmente pelo impacto no poder de compra das famílias. O setor supermercadista está constantemente buscando maneiras de mitigar esses efeitos, através de negociações com fornecedores e estratégias de eficiência operacional. Contudo, o comportamento futuro dos preços dependerá de variáveis como oferta, condições climáticas e questões tributárias”, afirmou Queiróz.
A análise não se restringe apenas ao Rio de Janeiro: em nível nacional, todas as 27 capitais do Brasil também registraram aumentos na cesta básica durante o mês de março. Embora este cenário seja preocupante, ele não necessariamente indica uma tendência contínua. Uma possível redução no preço do diesel pode refletir em menores custos, mas outros fatores, como condições climáticas adversas e desafios de produção, podem continuar a pressionar os preços.
Conforme destacou o presidente da ASSERJ/ALAS, aspectos como as chuvas que afetaram negativamente a colheita de tubérculos no Centro-Sul, a diminuição da oferta e as perdas no Nordeste, além do aumento da demanda interna e do crescimento das exportações de carne, permanecem como importantes influenciadores na formação dos preços dos alimentos.

