Impulsionado por Fatores Globais
O Brasil começa 2026 celebrando um marco significativo no turismo internacional, registrando um número recorde de visitantes estrangeiros. Entre janeiro e março, 3,74 milhões de turistas desembarcaram em solo nacional, o maior volume já registrado para um primeiro trimestre. Somente no mês de março, o país recebeu 1.053.098 visitantes, um aumento de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Embratur em parceria com o Ministério do Turismo e a Polícia Federal.
Esse resultado não se deve apenas a uma recuperação no período pós-pandemia ou a campanhas de promoção internacional. Há um fator externo importante que tem favorecido o Brasil: a atual instabilidade global. Conflitos no Oriente Médio impactaram rotas aéreas e operações de companhias aéreas da região, somados à continuação da guerra na Ucrânia, que envolve indiretamente países europeus, redirecionaram os fluxos turísticos. Neste cenário, destinos considerados seguros, fora do epicentro das tensões geopolíticas, se tornaram mais atrativos.
Vantagens Econômicas e Competitividade
Outro fator que se destaca é a valorização do real em comparação ao dólar e ao euro. Mesmo com uma leve alta recente, a moeda brasileira ainda é vista como uma opção econômica, aumentando o poder de compra dos turistas estrangeiros durante sua estadia no Brasil. Assim, o país se posiciona como uma alternativa competitiva em relação a destinos tradicionais na Europa e na Ásia, que são frequentemente mais caros e, em alguns casos, vinculados a riscos logísticos ou de segurança.
A nova dinâmica do turismo brasileiro já reflete nas estatísticas de chegada de visitantes. O Rio de Janeiro se destaca como o principal destino, com 884.535 chegadas, seguido por São Paulo, que recebeu 866.751 turistas. As regiões Sul e Sudeste do Brasil, com estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, também se destacam na recepção de visitantes internacionais.
Uma Nova Percepção do Brasil no Exterior
Bruno Reis, diretor de Marketing Internacional, Negócios e Sustentabilidade da Embratur, acredita que esse desempenho é resultado de uma mudança significativa na forma como o Brasil é percebido globalmente. “O turismo internacional brasileiro demonstra força e resiliência mesmo frente às instabilidades no cenário geopolítico mundial. Reposicionamos nosso país no mercado global, o que explica tanto os recordes de 2025 quanto essa consolidação em 2026”, comentou.
De acordo com Reis, a estratégia de promoção, baseada em inteligência de mercado e sustentada pelo Plano Brasis, tem sido fundamental para aumentar a competitividade do Brasil como destino turístico. “Para manter esse crescimento, é necessário não apenas atrair mais turistas, mas também qualificar a oferta e fortalecer toda a cadeia produtiva, o que gera emprego, renda e divisas para a economia”, acrescentou.
Esse otimismo também é compartilhado pelo governo. O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, observa que o ritmo atual coloca o Brasil em uma posição favorável para atingir as metas estabelecidas no Plano Nacional de Turismo 2024-2027. “Em apenas três meses, já atingimos metade da nossa meta anual. Isso demonstra o potencial do setor como motor de crescimento econômico e desenvolvimento regional”, afirmou.
América do Sul como Principal Fonte de Visitantes
No que diz respeito à origem dos turistas, a América do Sul continua sendo a principal emissora. A Argentina, por exemplo, destaca-se com mais de 1,6 milhão de turistas no trimestre. Outros países que seguem na lista incluem Chile, Estados Unidos, Uruguai, Paraguai e Portugal.
Segundo analistas do setor, a expectativa é que o fluxo turístico continue em alta ao longo do ano, especialmente se as incertezas no cenário internacional persistirem e a vantagem cambial se mantiver. Nesse cenário, o Brasil se posiciona como um destino de longa distância, oferecendo uma combinação de custos relativamente baixos, diversidade de experiências e estabilidade institucional, contrastando com um mundo cada vez mais fragmentado por conflitos e tensões geopolíticas.

