Como a Saúde Emocional se Torna Prioridade nas Empresas
Vivenciar um ambiente de trabalho tóxico pode afetar diretamente a saúde mental dos colaboradores. Um exemplo disso é o relato da médica dermatologista Paula Sian, que enfrentou uma relação abusiva com sua ex-chefe. Em suas palavras, a situação foi tão desgastante que ela chegou a observar que seus colegas de trabalho estavam chorando diante dos computadores, lutando contra a pressão do trabalho remoto durante a pandemia. O estresse era palpável, e muitos estavam em busca de terapias e medicamentos para conseguir lidar com a situação. “Ela era uma pessoa que gritava, humilhava e nunca deixava claro o que queria. A pressão foi tanta que, antes de sofrer um ataque de pânico, eu percebi que a equipe inteira estava debilitada”, relatou Sian.
Os efeitos de um ambiente de trabalho hostil não são apenas psicológicos. A especialista em saúde observou que já lidava com insônia severa, dores de cabeça intensas e até problemas gastrointestinais. “O ataque de pânico foi a gota d’água. Era domingo de manhã e só de pensar em ouvir a voz da minha chefe na segunda-feira, meu coração disparava”, compartilhou.
Aumento de Afastamentos por Transtornos Mentais
Infelizmente, relatos como o de Paula não são raros. Dados do Ministério da Previdência Social e do INSS indicam que, em 2025, quase meio milhão de afastamentos do trabalho foram motivados por transtornos mentais, como ansiedade e depressão. Entre os quadros mais frequentes está a Síndrome de Burnout, que provoca esgotamento físico e emocional, irritabilidade e dificuldades de concentração.
Diante desse cenário alarmante, o debate sobre saúde mental no trabalho tornou-se urgente. Em maio de 2025, o governo brasileiro atualizou a Norma Regulamentadora número 1, que trata da segurança e saúde no trabalho, incluindo de forma obrigatória a avaliação de riscos emocionais e psicossociais nas empresas. Essas novas orientações já estão em vigor e representam uma mudança significativa na forma como as empresas devem gerenciar o bem-estar de seus funcionários.
O Que Mudará para as Empresas e Empregados
Daniele Caetano, especialista em psicologia organizacional, explica as implicações práticas dessa nova normatização. “As empresas agora terão que identificar situações que podem levar ao estresse e ao adoecimento emocional, como cobranças excessivas, metas inalcançáveis e ambientes de trabalho tóxicos. Além disso, precisam implementar ações preventivas, como treinamentos e programas de saúde mental para seus colaboradores”, afirma.
Além de atender às exigências legais, cuidar da saúde emocional dos funcionários é vital para a produtividade. Estima-se que 12 bilhões de dias úteis são perdidos anualmente em todo o mundo devido a transtornos como ansiedade e depressão, resultando em um custo em torno de 1 trilhão de dólares.
Segundo Daniele, ignorar essas mudanças pode gerar consequências graves para as empresas. “A falta de atenção a esses aspectos resulta em mais afastamentos, demissões e processos trabalhistas, além de redução na produtividade. Portanto, não cuidar da saúde emocional dos funcionários pode sair muito mais caro no futuro”, conclui.
Busque Apoio Quando Necessário
Em casos de sintomas relacionados ao estresse ou esgotamento, é essencial buscar apoio profissional. Consultar médicos e profissionais de saúde mental é um passo importante para garantir o bem-estar emocional e físico, tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal.

