Momentos de Tensão no Cume do Vidigal
Na manhã de segunda-feira (20), cerca de 200 turistas que estavam em um passeio no morro do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro, foram surpreendidos por um tiroteio decorrente de uma operação policial. A situação se tornou alarmante e forçou os guias a buscar abrigo para os visitantes no solo de terra na cume da montanha. A operação envolvia agentes de segurança pública do estado do Rio de Janeiro e da Bahia, que estavam executando mandados de busca e prisão na comunidade.
O incidente ocorreu logo ao amanhecer, um horário de pico para os turistas que buscam a famosa vista do mar na região. O barulho dos disparos interrompeu a tranquilidade do local, que é conhecido por suas paisagens deslumbrantes e trilhas. Um dos relatos mais impactantes foi o da turista portuguesa Matilda Oliveira, que estava no grupo e observou a movimentação da polícia enquanto os tiros ecoavam ao redor. Segundo ela, os guias rapidamente instruíram todos a se sentarem no chão, ajudando a acalmar a situação de pânico.
Matilda caracterizou a atuação dos guias como eficaz, afirmando que, apesar do susto, ela continuaria a recomendar a trilha e a comunidade do Vidigal. Sua irmã, Rita Oliveira, também compartilhou sua experiência. Ela comprou os ingressos para a trilha com meses de antecedência e, ao chegar ao cume, recebeu informações sobre a operação em andamento. “As pessoas estavam apreensivas, mas depois conseguiram relaxar e apreciar o nascer do sol”, contou Rita.
A engenheira civil Sthefanny Andrade, de 27 anos, fez parte do grupo e descreveu o clima de insegurança que tomou conta de todos. “Havia helicópteros sobrevoando e o som dos tiros era muito intenso. Os turistas estrangeiros estavam confusos e nervosos, não sabíamos se a situação era próxima ou distante. Apesar do medo, voltaria ao Rio”, afirmou.
Protocolos de Segurança em Passeios Turísticos
De acordo com Renan Monteiro, gerente da Na Favela Turismo, a empresa tem protocolos de segurança rígidos para situações de emergência como esta. Ao primeiro sinal de perigo, o contato é feito com a Secretaria de Turismo, que coordena com as autoridades de segurança pública. Monteiro enfatizou a importância do guia local, que é treinado para lidar com crises em áreas complexas.
Os guias de turismo passam por treinamentos específicos para situações de risco e têm orientações claras, como se agachar e permanecer no local até que a segurança seja restabelecida. “É fundamental que os turistas entendam que estão em áreas com complexidade social, e que nossos guias estão preparados para situações adversas”, disse Monteiro.
O impacto do tiroteio se estendeu para os bairros vizinhos, como São Conrado e Leblon, com sons de disparos sendo ouvidos nas ruas. O Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro acionou bloqueios de veículos na Avenida Niemeyer, e manifestantes empilharam lixeiras em um esforço para atrasar a passagem da polícia.
A operação policial tinha como alvo Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como “Dadá”, um suposto líder de uma facção de tráfico de drogas. Durante a ação, dois homens foram presos e uma mulher identificada como Núbia Santos Oliveira também foi detida por ordens judiciais. Armas, munições e equipamentos de comunicação foram apreendidos durante a operação, que terminou sem registro de feridos entre os turistas.
Os detalhes revelados pelo Ministério Público da Bahia indicam que Núbia estaria envolvida em lavagem de dinheiro para uma rede criminosa, com laços familiares com um dos líderes da operação. O dia se encerrou sem registros de feridos que buscassem atendimento médico nos hospitais da região.

