Conflito Político no Maranhão
A disputa política no Maranhão ganha novos contornos com os aliados do governador Carlos Brandão se articulando para apoiar o PSD na candidatura do sobrinho do ex-governador Flávio Dino, desde que este busque o apoio de Lula. Essa movimentação foi comentada por Brandão em sua posse como ministro, onde destacou a importância de alinhar as parcerias estaduais com o governo federal.
A rixa entre os grupos de Brandão e Dino se consolidou ao longo do último ano, mas suas raízes remontam a períodos anteriores. Um sinal claro desse descontentamento foi a ausência de Brandão no casamento de Dino, que contou com a presença de diversas autoridades, incluindo ministros do STF. O desgaste se intensificou com discussões sobre o preenchimento de duas cadeiras no Tribunal de Contas do Estado (TCE), cujas indicações se tornaram um ponto de discórdia entre os grupos.
O estopim do rompimento definitivo, conforme revelado pela coluna de Malu Gaspar, foi a divulgação de graves gravações envolvendo aliados de Dino e um interlocutor anônimo, onde o deputado federal Rubens Jr. (PT-MA) questionava Brandão sobre o cumprimento de acordos políticos para a eleição municipal de 2024. Brandão denunciou na época que a utilização do STF por aliados de Dino era uma forma de manipulação, enquanto os parlamentares próximos a Dino alegaram serem vítimas de ações arbitrárias por parte do governo do Maranhão.
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Intervenção de Lula e Candidaturas em Foco
O rompimento foi rapidamente criticado pelo presidente Lula, que apelou a ambas as facções pela reflexão e responsabilidade, lembrando que a divisão interna poderia facilitar a vitória de adversários. Embora Lula tenha insistido para que Brandão se candidatasse ao Senado em 2026, o governador decidiu manter seu foco no Executivo estadual, o que aumentou a tensão com Camarão.
A pré-candidatura do sobrinho de Dino, Orleans Brandão, foi lançada em março, com um jingle que ecoa o estilo das campanhas de Lula. “Olê, olê, olê, Orleans”, entoaram os apoiadores durante o evento. Camarão, por sua vez, se apresenta como o “candidato do 13”, mas aguarda uma decisão oficial do PT e enfrenta dificuldades nas pesquisas de intenção de voto.
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Os dados mais recentes da pesquisa Quaest indicam que Eduardo Braide lidera com 35%, seguido por Orleans Brandão com 24% e Camarão, que aparece com apenas 7%, empatando tecnicamente com o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, que alcança 11%. Nos cenários de segundo turno, Braide mantém a vantagem, somando 46% contra os 33% de Orleans Brandão.
Desafios Legais e Acusações de Nepotismo
No cenário de incertezas sobre a posição do PT nas eleições, tanto Brandão quanto Camarão enfrentam pedidos de afastamento que estão sendo avaliados pela Justiça. Brandão é alvo de uma ação do PCdoB, que o acusa de descumprir uma decisão do STF sobre nepotismo, referente ao uso de verbas por auxiliares do governo. Sua defesa argumenta que não houve descumprimento das ordens judiciais.
O PCdoB menciona que três auxiliares de Brandão continuam a representar o governo, desafiando as decisões anteriormente estipuladas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu um parecer que se opõe ao pedido de afastamento, mas reconheceu que existem elementos que exigem investigação adicional.
Além disso, Camarão está sob investigação do Ministério Público estadual por supostas movimentações financeiras irregulares envolvendo laranjas, totalizando cerca de R$ 6,3 milhões. Recentemente, o STJ concedeu uma liminar suspendendo o pedido de afastamento de Camarão, apontando indícios de irregularidades na condução do caso.
Camarão critica Brandão por interferir nas instituições e considera a investigação como parte de uma “campanha jurídico-midiática”, associada à disputa eleitoral. Em entrevista ao GLOBO, o vice-governador afirmou que seu antigo aliado tentou perpetrar um golpe jurídico sem sucesso.

