Um Novo Capítulo no Futebol Brasileiro
Maricá, localizada na região metropolitana do Rio de Janeiro, testemunhará um marco histórico no futebol nacional. O Esporte Clube Originários, o primeiro time inteiramente composto por jogadores indígenas, dá início à sua jornada na Série C do Campeonato Carioca, com o apoio da Prefeitura local. A estreia da equipe, que agora é chamada de Ceres/EC Originários, está agendada para o dia 3 de maio, às 11h, no estádio da Rua Bariri, em Olaria, onde enfrentará o Barcelona EC.
A equipe reúne talentos de várias partes do Brasil, representando 15 etnias distintas. Aproximadamente 30% dos jogadores são nativos de Maricá. A formação do time surgiu a partir de uma seleção nacional, que atraiu centenas de inscrições, respeitando as diretrizes da competição, que prioriza atletas com menos de 23 anos e limita o número de jogadores mais experientes.
Mais que um Time, um Movimento
O EC Originários não se limita a competir na Série C; ele representa uma proposta inovadora de inclusão e valorização no futebol profissional. Para muitos dos atletas, essa é a primeira chance de integrar uma competição oficial sem abrir mão de suas raízes, cultura e identidade. O projeto visa criar um espaço para a expressão da cultura indígena dentro do esporte, abrindo portas para novas oportunidades.
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Segundo Tupã Darcy Nunes, presidente do EC Originários e líder da Aldeia Mata Verde Bonita, o projeto deve ser visto como parte de um movimento mais amplo de reconhecimento dos povos indígenas. “Após 526 anos de luta, aqui em Maricá, temos a chance de construir uma realidade de parceria e reconhecimento. É essencial mostrar que é possível desenvolver políticas e iniciativas que respeitem e valorizem os povos originários”, destacou ele.
Uma Casa Para o Originários
O Estádio João Saldanha servirá como a casa do EC Originários durante a competição estadual. A equipe, em campo, não apenas enfrentará desafios esportivos, mas também carregará o peso simbólico de representar comunidades historicamente marginalizadas. A seleção do elenco demandou uma busca nacional por atletas indígenas qualificados para competir oficialmente.
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O treinador Huberlan Silva, que já liderou a Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas, foi encarregado de observar jogadores e estruturar o time. O processo envolveu jovens vindos de aldeias de diversas regiões do país, muitos dos quais estão vivendo sua primeira experiência longe de casa, movidos pelo sonho de se tornarem jogadores profissionais.
Impacto Além do Futebol
Anderson Terra, do Instituto Terra do Saber, que é parceiro do clube na gestão e marketing, acredita que o impacto do projeto vai muito além do campo. “Nenhum garoto de aldeia, daqui ou de qualquer lugar do país, jamais imaginou que teria a oportunidade de jogar futebol profissionalmente. O que estamos construindo é essa possibilidade”, afirmou. Além disso, ele menciona a intenção de expandir o projeto para novas categorias, garantindo ainda mais oportunidades para os jovens atletas.

